Face à crescente multiculturalidade e aos importantes desafios éticos que esta coloca ao quotidiano escolar, é fundamental questionar práticas que comprometam a dignidade humana, a imparcialidade e a responsabilidade ética.
Estas questões são particularmente relevantes quando analisado o currículo oculto - contendo mensagens implícitas através de discursos e práticas que revelam expectativas diferenciadas relativamente aos alunos, abuso simbólico da autoridade e naturalização de estereótipos. A título de exemplo, devemos pedir a uma menina de etnia cigana que realize o seu PIT a limpar a escola?
Se a escola apenas reproduzir os lugares sociais que os alunos já conhecem e ocupam, estará verdadeiramente a educar para a liberdade ou apenas a legitimar as desigualdades existentes?
Recuperando Paulo Freire, a escola emancipa ou domestica. Que lugar queremos que a escola ocupe? E segundo o critério kantiano da universalidade, quereremos nós ficar nesse lugar dos determinismos sociais, culturais e económicos que limitam os horizontes e as possibilidades humanas?