Quando abordamos o tema da morte , podemos pensar sobre a visão de Ludwig Witgenstein que no seu tractatus lógico- Philosophicus afirmou que "a morte não é um evento da vida" e que a vida eterna pertençe a quem vive no presente, sem limites temporais É de certa forma uma visão mistica de viver, o ser humano é assim levado a transcender o tempo.
Em resposta a 'Anabela Tavares'
Re: Eternidade e Momento Presente
por Tiago Miguel Marques Ribeiro -Olá, Anabela. Obrigado pela partilha.
Ecoa o dito clássico de Epicuro: "Quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos”.
A morte, isto é, a nossa morte para nós mesmos, parece ser, de facto, um limite, uma fronteira, na nossa experiência.
Tudo quanto conhecemos é a morte dos outros. Daí que na célebre conversa vadia do Agostinho da Silva com o jovem Miguel Esteves Cardoso, o mestre afirmasse, uma e outra vez, para irritação e consternação do ainda pedante pupilo (hoje é o oposto disso!), que tudo quanto temos visto é a morte dos outros, não servindo essa experiência de garantia da inevitabilidade da nossa morte.
(aqui Agostinho estaria a pensar, creio, no problema da indução e não no caráter não experienciável da morte na primeira pessoa, mas penso que uma outra leitura pode também ir por aqui)
Deixo a ligação da conversa, a partir do min 20:45 https://www.youtube.com/watch?v=Tp9v0s7lb8Q#:~:text=Aqui%20se%20ver%C3%A1%20como%20o%20Prof.%20Agostinho,lhe%20s%C3%A3o%20colocadas%20por%20Miguel%20Esteves%20Cardoso.
Ecoa o dito clássico de Epicuro: "Quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos”.
A morte, isto é, a nossa morte para nós mesmos, parece ser, de facto, um limite, uma fronteira, na nossa experiência.
Tudo quanto conhecemos é a morte dos outros. Daí que na célebre conversa vadia do Agostinho da Silva com o jovem Miguel Esteves Cardoso, o mestre afirmasse, uma e outra vez, para irritação e consternação do ainda pedante pupilo (hoje é o oposto disso!), que tudo quanto temos visto é a morte dos outros, não servindo essa experiência de garantia da inevitabilidade da nossa morte.
(aqui Agostinho estaria a pensar, creio, no problema da indução e não no caráter não experienciável da morte na primeira pessoa, mas penso que uma outra leitura pode também ir por aqui)
Deixo a ligação da conversa, a partir do min 20:45 https://www.youtube.com/watch?v=Tp9v0s7lb8Q#:~:text=Aqui%20se%20ver%C3%A1%20como%20o%20Prof.%20Agostinho,lhe%20s%C3%A3o%20colocadas%20por%20Miguel%20Esteves%20Cardoso.
Em resposta a 'Tiago Miguel Marques Ribeiro'
Re: Eternidade e Momento Presente
por Tiago Miguel Marques Ribeiro -Num certo sentido, a nossa morte, para nós, não existe. Existirá para os outros, como a dos outros existe para nós, mas não enquanto experiência direta, na primeira pessoa. O grande mistério que sempre foi e continuará a ser a morte, poderá ter que ver com isto: não há sujeito que a possa captar e articular no seu instante.
Claro que se pensarmos a morte enquanto processo e não evento situado no tempo e no espaço (como por norma fazemos), a coisa ganha outra figura
Cumprimentos,
Tiago Ribeiro.
Claro que se pensarmos a morte enquanto processo e não evento situado no tempo e no espaço (como por norma fazemos), a coisa ganha outra figura
Cumprimentos,
Tiago Ribeiro.
Em resposta a 'Tiago Miguel Marques Ribeiro'
Re: Eternidade e Momento Presente
por Pedro Miguel dos Reis Filipe -O médico catalão Manuel Sans Segarra afirma que existem evidências objetivas de que a morte, tal como a entendemos, não existe. Baseando-se num estudo realizado a partir de centenas de casos clínicos, o cirurgião relata que os testemunhos dos seus pacientes — que foram considerados clinicamente e cerebralmente mortos no hospital de Barcelona — apresentam padrões consistentes e transformadores. Essas vivências, garante, não podem ser descartadas como simples alucinações. Pelo contrário, demonstram, segundo defende, que o pensamento subsiste para além da vida física. Deixo aqui o link da sua entrevista à TVI, que achei bastante interessante.
https://youtu.be/H_NVF3MBEXI?si=MoOYSsIOrx4Nmb30
https://youtu.be/H_NVF3MBEXI?si=MoOYSsIOrx4Nmb30
Em resposta a 'Pedro Miguel dos Reis Filipe'
Re: Eternidade e Momento Presente
por Tiago Miguel Marques Ribeiro -Olá, Pedro. Tenho alguma ideia do trabalho desse médico, pois tive este ano, no contexto da Filosofia da Ciência, dois grupos de alunos a analisar o seu trabalho à luz de instrumentos desta área da Filosofia. Conseguimos encontrar problemas a vários níveis - da conceputalização às metodologias usadas. Seja como for, são relatos no mínimo interessantes.
Gostaria só de assinalar o seguinte: não creio que a chamada morte biológica seja efetivamente um problema para os humanos; quando a morte se torna um problema enquanto tal - e tanto quanto sabemos sempre o foi para os humanos (todas as práticas a ela associadas o atestam) - é já a morte vista pelo animal que somos, e portanto, parece-me, não propriamente biológica. A morte nua - um organismo sem sinais vitais - não é um problema. Se fôssemos sequer capazes de a conceptualizar nessa total nudez, provavelmente não haveria qualquer tipo de rito associado à morte, nem inquietações dessa ordem.
Bem, isto é só uma ideia-provocação para nos fazer pensar! É provável que não seja realmente assim
(se observar e refletir sobre as formas como certos animais se comportam em relação à morte, provavelmente terei de de repensar isto)
Gostaria só de assinalar o seguinte: não creio que a chamada morte biológica seja efetivamente um problema para os humanos; quando a morte se torna um problema enquanto tal - e tanto quanto sabemos sempre o foi para os humanos (todas as práticas a ela associadas o atestam) - é já a morte vista pelo animal que somos, e portanto, parece-me, não propriamente biológica. A morte nua - um organismo sem sinais vitais - não é um problema. Se fôssemos sequer capazes de a conceptualizar nessa total nudez, provavelmente não haveria qualquer tipo de rito associado à morte, nem inquietações dessa ordem.
Bem, isto é só uma ideia-provocação para nos fazer pensar! É provável que não seja realmente assim
Em resposta a 'Tiago Miguel Marques Ribeiro'
Re: Eternidade e Momento Presente
por Pedro Miguel dos Reis Filipe -Na temática por nós abordada, o médico catalão Manuel Sans Segarra afirma que existem evidências objetivas de que a morte, tal como a entendemos, não existe. Baseando-se num estudo realizado a partir de centenas de casos clínicos, o cirurgião relata que os testemunhos dos seus pacientes — que foram considerados clinicamente e cerebralmente mortos no hospital de Barcelona — apresentam padrões consistentes e transformadores. Essas vivências, garante, não podem ser descartadas como simples alucinações. Pelo contrário, demonstram, segundo defende, que o pensamento subsiste para além da vida física.
Deixo aqui o link da sua entrevista à TVi, que achei bastante interessante:
https://www.youtube.com/watch?v=H_NVF3MBEXI
Deixo aqui o link da sua entrevista à TVi, que achei bastante interessante:
https://www.youtube.com/watch?v=H_NVF3MBEXI
Em resposta a 'Tiago Miguel Marques Ribeiro'
Re: Eternidade e Momento Presente
por Pedro Miguel dos Reis Filipe -Sobre a temática por nós estudada, o médico catalão Manuel Sans Segarra afirma que existem evidências objetivas de que a morte, tal como a entendemos, não existe. Baseando-se num estudo realizado a partir de centenas de casos clínicos, o cirurgião relata que os testemunhos dos seus pacientes que foram considerados clinicamente e cerebralmente mortos no hospital de Barcelona apresentam padrões consistentes e transformadores. Essas vivências, garante, não podem ser descartadas como simples alucinações. Pelo contrário, demonstram, segundo defende, que o pensamento subsiste para além da vida física.
https://www.youtube.com/watch?v=H_NVF3MBEXI
https://www.youtube.com/watch?v=H_NVF3MBEXI
Em resposta a 'Tiago Miguel Marques Ribeiro'
Re: Eternidade e Momento Presente
por Maria do Céu Cardoso Ferreira da Silva -Olá Anabela!
Obrigada pela partilha destas reflexões sobre a morte. É um tema complexo e que por exemplo para mim até há pouco tempo me parecia algo muito díficil de falar , aos poucos ele parece natural. A proximidade que tive com morte de familiares muito próximos, parece ter alterado toda a visão que tinha da morte e ganhou um novo sentido.
Ao "vivenciar" a morte parece que a minha reflexão aceca da existência ganhou uma nova dimensão.
Cumprimentos
Maria do Céu Silva
Obrigada pela partilha destas reflexões sobre a morte. É um tema complexo e que por exemplo para mim até há pouco tempo me parecia algo muito díficil de falar , aos poucos ele parece natural. A proximidade que tive com morte de familiares muito próximos, parece ter alterado toda a visão que tinha da morte e ganhou um novo sentido.
Ao "vivenciar" a morte parece que a minha reflexão aceca da existência ganhou uma nova dimensão.
Cumprimentos
Maria do Céu Silva