A pergunta "Portugal é um país racista?" não pode ser entendido de forma literal, de forma generalizada. Reduzir a realidade a um "sim" ou "não" é ser redutor e tendencioso e tende a ignorar toda a complexidade social, histórica e cultural que caracteriza qualquer sociedade.
Portugal sempre foi um país que acolhe, democrático, plural e cada vez mais diverso. Sucede a globalização, fez com que se tornasse efetivo, a livre circulação de pessoas, capitais, bens e cultura. Portugal, ao longo das últimas décadas, tornou-se um destino para pessoas de diferentes origens, culturas e nacionalidades, que aqui vivem, trabalham, estudam e contribuem para o desenvolvimento económico e social do país. Logo, conviver, relacionar-se, com a diversidade, com formas de estar e costumes diferentes nem sempre é da forma mais pacífica e respeitadora.
No entanto, afirmar que Portugal não é racista não significa negar que existam situações de racismo, casos de discriminação, preconceito e tratamento desigual com base na origem étnica, cor da pele, nacionalidade ou religião. Esses fenómenos têm também de ser reconhecidos e devem ser combatidos de imediato.
Por outro lado, também é importante compreender que muitas tensões sociais não resultam exclusivamente de racismo, mas sim, podem estar associadas a questões económicas, dificuldades no acesso à habitação, pressão sobre os serviços públicos, insegurança percebida, mudanças demográficas rápidas e disputas políticas podem gerar receios e conflitos que, por vezes, são interpretados ou instrumentalizados através de discursos identitários.
A propaganda, a falta de informação rigorosa, a circulação de notícias falsas, a desinformação nas redes sociais e a utilização política de determinados temas contribuem frequentemente para aumentar a polarização e criar este foço entre aqueles que são acolhidos em Portugal e os naturais do país. Estas questões são muitas vezes entendidas como “verdades absolutas” e à criação de “ruídos “nas atitudes e linguagem, levando a situações controladas pelas emoções, generalizações e preconceitos.
Julgo, que talvez algumas das estratégias passará por promover situações de convivência assente no contacto intercultural, respeito, igualdade de oportunidades e sobretudo mais consciente, aberta para resolver estes problemas para fortalecer a coesão social.