A circunstância de as estórias tradicionais acabarem bem é recente. Se lermos os registos mais antigos, como os dos Grimm, verificamos que nem sempre acabam bem. E os Grimm já procuravam suavizar muitas delas. E mesmo quando acabavam, em certo sentido, bem, ainda assim eram cruéis.
Os três porquinhos, por exemplo, acabavam a cozinhar e a comer o lobo!
Muitas vezes, os contos tradicionais permitiam exorcizar os problemas existenciais, e permitiam que as pessoas contactassem com esses problemas de forma não escamoteada.
Hoje, tendemos a esconder esses problemas. Esconder a morte.
Não trabalhamos os problemas existenciais, fugimos deles. Isso significa que ficamos vulneráveis a esses mesmos problemas. E acabamos abalroados por eles quando eles se nos impõem. Como não os trabalhámos conceptualmente antes, somos esmagados por eles quando surgem existencialmente.