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Eco Antigo na Penumbra Moderna: A Imutável Busca pelo Sentido

Eco Antigo na Penumbra Moderna: A Imutável Busca pelo Sentido

por Emília Susana de Araújo Gonçalves Figueiredo - Número de respostas: 1

Estaremos Apenas a Ouvir um Eco Antigo na Penumbra Moderna da Nossa Busca pelo Sentido?

Esta é uma das tensões mais fascinantes da nossa existência. À primeira vista, parece que mudámos tudo: trocámos os mitos antigos pela ciência, os altares pelos ecrãs e a busca pela transcendência divina por uma corrida à produtividade e à autorrealização individual. Hoje, o sentido da vida é muitas vezes comercializado como um projeto de branding pessoal ou um objetivo de bem-estar.

No entanto, se despirmos o ruído da modernidade, percebemos que a nossa tecnologia avançou, mas a nossa arquitetura emocional continua idêntica. No fundo, quando o ecrã se apaga na penumbra do quarto, as inquietações que nos assaltam são as mesmíssimas que ecoavam na Mesopotâmia, na Grécia Antiga ou no Antigo Egito: Quem sou eu? O que acontece quando morrer? Como posso amar e ser lembrado? O meu sofrimento tem algum propósito?

Em resposta a 'Emília Susana de Araújo Gonçalves Figueiredo'

Re: Eco Antigo na Penumbra Moderna: A Imutável Busca pelo Sentido

por Nuno Miguel Martins de Almeida Calamote -
Ao ler esta excelente reflexão percorre-me a pergunta se este sofrimento individual é uma invenção moderna, ou mesmo, contemporânea? Se o ser individual e o reconhecimento deste isolamento do eu para com o outro não será apenas nosso, dos Hiperbóreos, aqueles que deveriam viver felizes e descobrem-se isolados no seu amago incomunicável e profundo? É o questionamento de si, do mais profundo de si, intemporal? Autoreconheceu-se o indivíduo desde sempre? Ou, houve um tempo em que estas perguntas que, tão bem faz, tiveram um caráter coletivo?
Pergunto isto porque ao analisar os lamentos antigos, da Grécia principalmente e, especificamente, no lamento dos brados, vejo sempre uma identidade coletiva. O lamento do soldado que vende o seu esforço na guerra é pela condição que é comum a todos os que partilham a sua sorte e não é um lamento pela situação individual. Serão as perguntas que faz, exclusivas de quem reconheceu e condição humana vivida no individualismo? Será este "mal" nosso ou existe desde os primórdios?