Estaremos Apenas a Ouvir um Eco Antigo na Penumbra Moderna da Nossa Busca pelo Sentido?
Esta é uma das tensões mais fascinantes da nossa existência. À primeira vista, parece que mudámos tudo: trocámos os mitos antigos pela ciência, os altares pelos ecrãs e a busca pela transcendência divina por uma corrida à produtividade e à autorrealização individual. Hoje, o sentido da vida é muitas vezes comercializado como um projeto de branding pessoal ou um objetivo de bem-estar.
No entanto, se despirmos o ruído da modernidade, percebemos que a nossa tecnologia avançou, mas a nossa arquitetura emocional continua idêntica. No fundo, quando o ecrã se apaga na penumbra do quarto, as inquietações que nos assaltam são as mesmíssimas que ecoavam na Mesopotâmia, na Grécia Antiga ou no Antigo Egito: Quem sou eu? O que acontece quando morrer? Como posso amar e ser lembrado? O meu sofrimento tem algum propósito?