Consideram que o dogmatismo e o ceticismo representam teorias filosóficas ou atitudes filosóficas? Há alguma diferença, sob o ponto de vista das consequências epistémicas, pensar as duas perspetivas como teorias ou atitudes?
Consideram que o dogmatismo e o ceticismo representam teorias filosóficas ou atitudes filosóficas?
por Artur Galvão - Número de respostas: 6
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Re: Consideram que o dogmatismo e o ceticismo representam teorias filosóficas ou atitudes filosóficas?
por António José Freire Lucas Libreiro -Se o dogmatismo e o ceticismo procuram responder ao problema da possibilidade do conhecimento, então estas duas perspetivas são teorias filosóficas. Contudo, perante o conhecimento da realidade, o sujeito cognoscente pode assumir uma visão dogmática ou cética relativamente a uma certeza epistémica.
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Re: Consideram que o dogmatismo e o ceticismo representam teorias filosóficas ou atitudes filosóficas?
por Bruno Filipe Castelo Branco Teixeira Marques -Quer o dogmatismo, quer o ceticismo são formas de estar perante o mundo que nos rodeia e interpretações da realidade. Podemos dizer que constituem atitudes filosóficas do sujeito perante aquilo que o rodeia e perante o conhecimento. Posteriormente, essas atitudes deram origem a teorias filosóficas desenvolvidas por diferentes filósofos.
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Re: Consideram que o dogmatismo e o ceticismo representam teorias filosóficas ou atitudes filosóficas?
por Maria Isabel de Jesus de Oliveira Felício -Podem ser consideradas teorias, no entanto, inclino-me mais para atitudes: atitude de aceitação de algo sem questionar, a aceitação do dogma, mas que não se coaduna com a atitude filosófica, pois aceitar sem questionar não é próprio da filosofia; em Descartes pressupõe a crença "dogmática" no poder da razão; por outro lado, atitude cética daquele que desconfia do poder da razão para alcançar conhecimento verdadeiro.
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Re: Consideram que o dogmatismo e o ceticismo representam teorias filosóficas ou atitudes filosóficas?
por Gonçalo Renato Correia Vicente Martins -Não me parecem atitudes devidamente estruturadas para atingirem o estatuto de atitudes filosóficas (embora o possam vir a ser, visto terem uma dedicação prolongada por, por exemplo, Pirro, e, a teologia), no entanto, vejo-as mais como momentos psicológicos espontâneos a que o sujeito não apresenta incialmente fundamentação ou justificação. O dogmatismo pode ser inteiramente estéril caso tenha uma função de permanência de poder, não sendo por isso desinteressado mas também não substanciado, e, o ceticismo pode ser uma carência de necessidade acerca do conhecimento que limita a progressão intelectual.
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Re: Consideram que o dogmatismo e o ceticismo representam teorias filosóficas ou atitudes filosóficas?
por Sara Luísa Almeida Ramos -Considero que o dogmatismo e o ceticismo representam atitudes filosóficas quer perante o conhecimento, quer perante o acesso à verdade. Tratam-se, mais do que de teorias, de formas antitéticas de fazer filosofia no mundo: uma, o dogmatismo, traduzida num otimismo ingénuo ou exacerbado no poder da razão humana e na sua capacidade de descobrir os problemas do mundo e dos homens; a outra, o ceticismo, seja ele moderado ou radical, traduzida numa forma de suspeição perante a possibilidade de conhecimento humana. Um exemplo concreto que me ocorre e que comprova que, mais do que teorias, se tratam, dogmatismo e empirismo, de atitudes e formas de estar no mundo, vem-me através do ceticismo radical e de todos os seus argumentos para a suspensão do juízo (epoché).
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Re: Consideram que o dogmatismo e o ceticismo representam teorias filosóficas ou atitudes filosóficas?
por João Carlos Rodrigues da Silva -Considero que são atitudes filosóficas uma vez que não respondem de modo definitivo ao problema de sabermos onde têm origem as nossas crenças fundacionais, muito embora considero que cada uma delas tenha deixado em aberto problemas, não fosse a área em estudo em questão a Epistemologia, ambas apresentem argumentos válidos para se defender a tese de que o conhecimento seja possível, embora, quer o argumento empirista quer o argumento racionalista, não sejam sólidos.
Considero que ambos os modelos de conhecimento alcançaram resultados muito embora sejam realistas como Moore, a meu ver de um modo injustificado, a apresentarem resultados quanto ao problema cético.
Não me interessa saber se posso saber tudo, interessa-me saber se sei algumas coisas, e quanto a esta via, Descartes foi um mestre.
Lamento Dr. António Damásio, alegar-se que o fato de não se localizar a interface no cérebro entre a alma (mente humana) e o corpo (externalismo) não é condição necessária para achar que Descartes cometeu um erro, e se formos por essa via, acharmos que a Filosofia se pode reduzir à ciência é não termos percebido nada do pensamento de Nietzsche que tanto assolou aqueles "homens de fim de século".
Em Suma: devemos muito a Descartes, mesmo aqueles que acham que ele deve ser o seu saco de boxe
Diria que o facto de terem hoje onde bater só revela a importância que Descartes teve para a História da Filosofia.
João R. Silva
Considero que ambos os modelos de conhecimento alcançaram resultados muito embora sejam realistas como Moore, a meu ver de um modo injustificado, a apresentarem resultados quanto ao problema cético.
Não me interessa saber se posso saber tudo, interessa-me saber se sei algumas coisas, e quanto a esta via, Descartes foi um mestre.
Lamento Dr. António Damásio, alegar-se que o fato de não se localizar a interface no cérebro entre a alma (mente humana) e o corpo (externalismo) não é condição necessária para achar que Descartes cometeu um erro, e se formos por essa via, acharmos que a Filosofia se pode reduzir à ciência é não termos percebido nada do pensamento de Nietzsche que tanto assolou aqueles "homens de fim de século".
Em Suma: devemos muito a Descartes, mesmo aqueles que acham que ele deve ser o seu saco de boxe
Diria que o facto de terem hoje onde bater só revela a importância que Descartes teve para a História da Filosofia.
João R. Silva