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FÓRUM

Os desafios da Comunicação

Os desafios da Comunicação

por Vera Lúcia Pinheiro da Mota - Número de respostas: 2

A comunicação, através da linguagem e do corpo, constituem um verdadeiro desafio ao longo da vida. Pelo menos, para mim, assim tem sido. Saber comunicar e não nos deixarmos levar logo pelas emoções, pode evitar muitos problemas. O(A) professor(a) tem este desafio acrescido pelo facto de todos os dias ser "posto à prova" nesta dimensão tão exigente da sua profissão. 

O(A) professor(a) que diz a uma criança, do primeiro ciclo, "diz ao teu Encarregado de Educação para não se meter no meu trabalho!" pelo facto do Encarregado de Educação ter ajudado a criança a fazer o TPC como sabia, tem muito a aprender sobre saber comunicar. 

O(A) professor(a) que diz a uma criança do terceiro ciclo: "tu nunca vais dar nada na vida" tem muito para refletir sobre a sua prática.

E poderia dar muitos exemplos, com os quais me tenho vindo a cruzar ao longo destes anos de convívio com muitas formas de estar e trabalhar na profissão.

Uma palavra, uma frase, uma atitude menos correta pode marcar para sempre uma criança. Cada um, carrega uma história na sua mochila da vida. Cabe-nos a nós, os adultos dentro da sala, tornar essa mochila mais leve e não mais pesada. Fica a reflexão.

Porque ensinar para o(a) aluno(a) ideal, é fácil. A prova dos 9 está nos outros. Nos(as) alunos(as) desafiantes.

"Que interessante! resolveste o exercício de forma diferente! Cá na sala, para já, vamos fazer desta forma como eu vos ensinei na aula"... (ao invés de "Diz ao teu EE para não se meter no meu trabalho!")

"António, tens que trabalhar mais. Se o fizeres com consistência, acredito que vais conseguir. Se precisares da minha ajuda, diz!".

(ao invés de dizer: "Tu não vais chegar a lado nenhum na vida!")

Em resposta a 'Vera Lúcia Pinheiro da Mota'

Re: Os desafios da Comunicação

por Ana Mécia Oliveira -
Agradeço a tua partilha, tão rica e tão próxima da realidade que muitos professores vivem diariamente.

Trazes algo essencial para a Comunicação Não Violenta: a consciência de que a forma como comunicamos — com palavras, tom e linguagem corporal — tem impacto direto na forma como o outro se sente e se vê a si próprio. E, no contexto educativo, esse impacto pode ser especialmente profundo e duradouro.

Os exemplos que partilhas ilustram bem a diferença entre uma comunicação que julga ou rotula e uma comunicação que observa, orienta e encoraja. Na CNV, procuramos precisamente essa mudança: sair de mensagens que podem gerar vergonha, culpa ou resistência, e aproximarmo-nos de uma linguagem que promove responsabilidade, confiança e ligação.

Quando reformulas frases como:

“Que interessante! resolveste de forma diferente…”
“Se trabalhares com consistência, acredito que vais conseguir…”

estás a integrar vários pilares da CNV: a observação sem julgamento, o reconhecimento do esforço/estratégia do aluno e a expressão de uma expectativa positiva, acompanhada de disponibilidade para apoiar.

Também me parece muito significativa a tua metáfora da “mochila”. Ela liga-nos à ideia de empatia — outro elemento central na CNV — e ao papel do professor enquanto alguém que pode contribuir para aliviar, e não acrescentar peso.

Fica também um convite à reflexão: mesmo quando reconhecemos que certas falas não são as mais ajustadas, muitas vezes elas surgem de necessidades não atendidas do próprio professor (cansaço, frustração, necessidade de apoio, de reconhecimento…). Na tua perspetiva, que necessidades poderão estar por detrás dessas formas de comunicar que identificas?
Em resposta a 'Vera Lúcia Pinheiro da Mota'

Re: Os desafios da Comunicação

por Ana Luísa dos Santos Gomes -
Concordo inteiramente Vera. Cada Professor é farol que ilumina caminhos, uns imersos na escuridão, outros insuspeitos. Por norma, o que tenho observado ao longo dos anos é que justamente os alunos desafiantes são aqueles que carregam em si vivências que de algum modo, os castraram sem que disso tenham consciência. A forma como interagem com os professores nomeadamente, é muitas vezes tão somente um pedido de ajuda, de colo.