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Atividade de comunicação assíncrona, com escolha entre três opções

Opção C

Opção C

por Sandra Cristina Henriques Passos Ferreira Gomes - Número de respostas: 0

Tenho dias em que a Literacia da Informação é transparente como água e consigo percecioná-la e vê-la para além do imediato e, uns tantos outos, em que me sinto num emaranhado de ideias, conceitos, caminhos e definições que mais parecem uma teia conceptual do que um mapa claro e objetivo. E nestes, surge-me um grande dilema: andamos a falar de Literacia de Informação e Literacia dos Media, e temos tantos alunos que não têm as competências básicas para interpretar um texto ou discursar corretamente em diferentes contextos. E já nem me refiro à escrita.

Mas talvez isto seja reflexo de uma sociedade apressada, em que a máquina se tem substituído em inúmeras tarefas humanas e, agora, também avança no que diz respeito às competências mentais. É um facto que a IA está aí e, ao que parece, veio para ficar.

Resta-nos, por isso, usá-la a nosso favor e não nos deixarmos sermos ultrapassados por ela ou tornarmo-nos assustadoramente preguiçosos.

As informações várias de ambos os vídeos estão patentes nos documentos da RBE que abordam este conceito de Literacia da Informação.

Saliento a passividade com que atualmente acedemos à informação e a usamos sem filtros, sem pensamento crítico, sem esforço. E como, tão facilmente, assumimos como verdadeiro o que lemos, vemos e ouvimos, papagueando frases e ideias, que não são nossas, mas parecem bem. Fazem-nos parecer informados, interessados no mundo. Mostramo-nos inteligentes (?), informados (?), com uma quantidade enorme de conhecimento (?) e de assuntos para discutir (?). Acabamos com muita informação, com sorte, alguma será verdadeira, mas o conhecimento é cada vez menor.

Mas supondo que até fizemos o filtro bem feito, ou seja, que validámos as fontes, que temos evidências e várias opiniões sobre o tema, e que sobre ele refletimos, pensámos, eventualmente estabelecemos conexões com outros contextos e assuntos referentes ao tema e à nossa experiência, temos ainda a arrogância de dar um pulo direto, e curto, entre o conhecimento e a aprendizagem, sem selecionar, organizar, contextualizar. E pronto, ficamos contentinhos porque fizemos o nosso trabalho em tempo record e vamos vangloriar-nos disso: pedi à IA, que fez tudo por mim.

 

E caminhamos então a passos largos para uma sociedade que não reflete, em que o vocabulário está a diminuir (veja-se a ausência de verbos no discurso dos miúdos) e a forma de comunicar talvez esteja mesmo a mudar.  Pode não ser mau, não foi terrível passarmos da carta escrita à mão ao email, mas não deve promover a diminuição do pensamento. E penso que talvez seja esta a grande importância da Literacia da Informação: conseguirmos ter bastante informação, mas continuarmos a ser ativos na procura, na pesquisa, nas contradições, na reflexão.