Olá a todos,
Tenho estado a refletir sobre os tópicos que abordámos nas últimas sessões, em particular sobre a obra de Viktor Frankl e a forma como dialoga com os testemunhos da época, como o de Etty Hillesum. É impressionante como a análise do comportamento humano em contextos limite nos traz lições tão atuais sobre a resiliência e a moralidade.
O ponto que mais me marcou foi a distinção que Frankl faz em relação a Freud e Adler. Enquanto os primeiros focavam a motivação humana no prazer ou no poder, Frankl demonstra que o que verdadeiramente nos sustenta é a busca por um sentido. Nos campos de concentração, os que resistiram não foram necessariamente os mais fortes fisicamente, mas sim aqueles que tinham um "porquê" para continuar, uma missão ou alguém a quem regressar. Quando este propósito falta, o prazer e o poder tornam-se apenas formas de preencher o vazio.
Por outro lado, a forma como o ressentimento e a desumanização funcionavam é perturbadora. A destruição da identidade visual dos prisioneiros combinou-se com a frustração pessoal de muitos guardas, que aproveitaram o poder da instituição para descarregar invejas e humilhar quem no passado tinha prestígio. Ao mesmo tempo, o contraste do Álbum de Höcker mostra como é fácil ao ser humano compartimentar a sua ética, mantendo uma vida "normal" e festiva enquanto ignora o horror à sua volta.
Isto leva-nos também à ideia do heroísmo moral. Frankl nota que, quando a exaustão biológica apaga os afetos e a empatia natural, a integridade deixa de ser uma emoção e passa a ser uma escolha racional estrita. O gesto do prisioneiro que servia a sopa com imparcialidade, sem olhar para quem a recebia, é o exemplo perfeito de como a razão e a disciplina do dever podem ser o último refúgio da dignidade humana.
Fiquei a pensar sobre como isto se aplica aos dias de hoje e gostava de saber a vossa opinião:
Em contextos modernos de grande pressão ou exaustão, acham que é a clareza do propósito que mais falha às pessoas, ou é a capacidade de manter a ética quando as emoções e a empatia se esgotam? E de que forma podemos evitar que o ressentimento individual contamine as dinâmicas de poder nas nossas próprias organizações?
Que perspetivas têm sobre isto?
PS: apesar da enorme brutalidade das imagens, aconselho o filme documental de Alfred Hitchcock: “German Concentration Camps Factual Survey” (é de extrema violência e todos os vídeos e imagens são reais). Possivelmente no YouTube Poderão encontrar.