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Quando se perde o sentido da vida

Quando se perde o sentido da vida

por Márcio Manuel Gonçalves Marques - Número de respostas: 2

"Nos campos de concentração, este comportamento (desistite) tinha paralelo no daqueles que, às cinco da manhã, recusavam sair de cama e ir trabalhar, ficando na caserna, deitados na palha molhada de urina e fezes. Nada - nem avisos, nem ameaças conseguia levá-los a mudar de atitude.  E, acontecia, então, algo típico: tiravam um cigarro do fundo de um bolso, onde o tinham escondido, e começavam a fumar. Naquele momento sabíamos que nas próximas 48 horas, pouco mais ou menos, íamos vê-los morrer. A orientação de sentido tinha-se desvanecido e, em consequência, a busca de prazer imediato tinha assumido o controlo." (O Homem em Busca de um Sentido, p.137)

Para a reflexão sobre o tema deixo dois contributos:

Filme "A Vida é Bela" (1997);

Livro "Logoterapia e Análise existencial - Vida, testemunho e obras de Viktor Frankl", D. Nuno Almeida, 2026 (será lançado a 6 de Outubro).

Em resposta a 'Márcio Manuel Gonçalves Marques'

Re: Quando se perde o sentido da vida

por Joaquim Jorge Teixeira da Silva Guedes -
Uma reflexão que nos leva a pensar na importância que o sentido da vida tem na forma como enfrentamos as dificuldades. O testemunho de Viktor Frankl é particularmente marcante porque nos mostra que, mesmo em situações de extremo sofrimento, a esperança e a existência de um propósito podem fazer a diferença. A referência a A Vida é Bela complementa muito bem esta ideia, mostrando como o amor e a capacidade de atribuir sentido à realidade podem ser uma forma de resistência. Enquanto professor, considero que esta reflexão nos interpela também sobre a importância de ajudar os nossos alunos a encontrar razões para acreditar, persistir e dar sentido ao seu caminho.
Em resposta a 'Joaquim Jorge Teixeira da Silva Guedes'

Re: Quando se perde o sentido da vida

por Isaura Maria Barradas Nunes Bernardo -
Concordo! E, desde logo, sou levada a estabelecer uma associação entre aquilo que temos ouvido ao longo desta formação, os comentários dos colegas e o que aconteceu com os meus pais, em 1974, enquanto "retornados" a Portugal, após um processo complicado de descolonização. Como tantos portugueses radicados em África, não conseguiram evitar o desfecho avassalador que aconteceu nas suas vidas, voltando a casa sem nada, apenas com poucos pertences (alguns nem isso) e os filhos pela mão. O retorno a uma casa que já não os via como seus. E foi aqui que, sem eles terem qualquer tipo de acompanhamento ou orientação psicológica, entraram em campo os princípios da logoterapia, sem eles próprios os conhecerem! Mas muitos, à semelhança de Viktor Frankl, tinham consigo esse propósito maior de não se deixarem abater pelos reveses da vida, tendo, por isso, sido capazes de reorientar as suas vidas a partir do nada, passando privações, enfrentando comentários jocosos e preconceitos. Contribuíram, inclusive, para a modernização de Portugal a vários níveis. Sempre me questionei como é que os meus pais, quase aos cinquenta anos, puderam aguentar tanto sacrifício, com três filhas para educar e, ainda assim, sem caírem no vazio mental. Porque essa não foi a sorte de alguns amigos deles... O meu pai faleceu este ano, a poucos meses de completar os cem anos e quando alguém lhe perguntava o "segredo" da longevidade, ele, a rir-se, dizia que o tempo tinha passado muito depressa para tudo aquilo que queria fazer!