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Quando se perde o sentido da vida

Re: Quando se perde o sentido da vida

por Isaura Maria Barradas Nunes Bernardo - Número de respostas: 0
Concordo! E, desde logo, sou levada a estabelecer uma associação entre aquilo que temos ouvido ao longo desta formação, os comentários dos colegas e o que aconteceu com os meus pais, em 1974, enquanto "retornados" a Portugal, após um processo complicado de descolonização. Como tantos portugueses radicados em África, não conseguiram evitar o desfecho avassalador que aconteceu nas suas vidas, voltando a casa sem nada, apenas com poucos pertences (alguns nem isso) e os filhos pela mão. O retorno a uma casa que já não os via como seus. E foi aqui que, sem eles terem qualquer tipo de acompanhamento ou orientação psicológica, entraram em campo os princípios da logoterapia, sem eles próprios os conhecerem! Mas muitos, à semelhança de Viktor Frankl, tinham consigo esse propósito maior de não se deixarem abater pelos reveses da vida, tendo, por isso, sido capazes de reorientar as suas vidas a partir do nada, passando privações, enfrentando comentários jocosos e preconceitos. Contribuíram, inclusive, para a modernização de Portugal a vários níveis. Sempre me questionei como é que os meus pais, quase aos cinquenta anos, puderam aguentar tanto sacrifício, com três filhas para educar e, ainda assim, sem caírem no vazio mental. Porque essa não foi a sorte de alguns amigos deles... O meu pai faleceu este ano, a poucos meses de completar os cem anos e quando alguém lhe perguntava o "segredo" da longevidade, ele, a rir-se, dizia que o tempo tinha passado muito depressa para tudo aquilo que queria fazer!