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"Ser Professor/a na Inter e na Multiculturalidade..."

Tarefa 2 - Carla Leite

Tarefa 2 - Carla Leite

por Carla Maria de Almeida Aguiar Machado Leite - Número de respostas: 0

DIA 3 — OLHAR

 

Depois de embarcar, chegou o momento de começar a olhar com mais atenção para aquilo que acontece ao longo do caminho.

 

Nesta sessão fizemos um périplo por uma perspetiva histórica sobre migração e diversidade cultural, abordando alguns conceitos relacionados com as migrações, nomeadamente refugiados, requerentes de asilo e proteção subsidiária. Vimos também um vídeo sobre o Sistema Europeu Comum de Asilo (SECA) e analisámos algumas tendências relativas aos pedidos de asilo.

 

Mas foi a questão lançada pela formadora que me fez parar para pensar:

Interculturalidade: desafio ou oportunidade?

Não cheguei a partilhar a minha opinião, mas, ao ouvir os diferentes pontos de vista, fiquei com uma ideia muito clara: pode ser as duas coisas. A diversidade cultural pode trazer desafios, dificuldades de adaptação, incompreensões e conflitos, mas também pode constituir uma oportunidade de aprendizagem, de encontro e de enriquecimento mútuo. Talvez o verdadeiro desafio esteja precisamente em transformar as dificuldades do encontro em oportunidades de diálogo.

 

Olhar para quem chega

A imagem da Porta da Europa, em Lampedusa, levou-nos para uma realidade particularmente dura. Para muitas pessoas, aquele lugar representa uma das portas de entrada na Europa, mas também o perigo e a morte que tantos enfrentam na tentativa de chegar a um lugar onde possam encontrar segurança e melhores condições de vida.

Ficaram comigo algumas ideias partilhadas pela formadora: «quem foge do seu país procura sempre uma vida melhor»; «olhar quem chega como uma pessoa, e não apenas como um imigrante, torna mais fácil acolher»; «é necessário colocarmo-nos no lugar do outro».

Esta última ideia tocou-me particularmente, porque é um princípio que procuro seguir em tudo na minha vida. Afinal, se fôssemos nós a estar naquela situação, não desejaríamos também ser acolhidos, respeitados e aceites?

 

Olhar para as histórias

Foi, porém, o vídeo «Portugal é que me escolheu» que mais me marcou.

Os testemunhos de pessoas provenientes de diferentes países e com percursos de vida muito distintos mostraram-me que, apesar das diferenças entre as suas histórias, havia algo profundamente comum: a luta por uma vida melhor e, sobretudo, pela família e pelo seu bem-estar. Uns partiram e outros ficaram, mas a preocupação com aqueles que deixaram para trás estava presente nas suas palavras.

Também me impressionou a dureza das viagens até Portugal e algumas das expressões utilizadas para descrever os seus países de origem: «não há lá nada de bom» ou «já não há vida». A procura de trabalho, de segurança e de melhores condições de vida cruzava-se com a valorização da liberdade e das oportunidades encontradas em Portugal.

E, no meio de histórias tão difíceis, uma expressão simples ganhou para mim uma força especial: «Estou feliz.»

Houve ainda um momento de que gostei particularmente: o de um dos rapazes que colocava ao pai, na sua língua materna, as perguntas que depois traduzia para português. Naquele pequeno diálogo estavam presentes duas línguas, duas culturas e duas gerações. Gostei de ver como a língua de origem e a língua do país de acolhimento podiam coexistir naturalmente, sem que uma tivesse de apagar a outra.

 

O que levo desta etapa?

Esta sessão fez-me pensar que talvez a interculturalidade comece precisamente por aí: pelo olhar.

Antes de vermos o imigrante, o refugiado ou o estrangeiro, precisamos de ver a pessoa. Alguém que, tal como nós, tem uma história, uma família, medos, sonhos e vontade de viver com dignidade.

Hoje não trouxe apenas novos conceitos. Trouxe comigo a necessidade de olhar para além daquilo que é imediatamente visível e tentar compreender o caminho que cada pessoa percorreu até chegar ao lugar onde está.

A viagem começa a mudar o meu olhar.