Gostaria de aproveitar o facto de muitos docentes que se encontram na formação falaram dos muçulmanos e dos alunos islâmicos, da sua cultura e dos seus hábitos para partilhar uma experiência que tive no passado. Foi dois anos depois do 11 de setembro de 2001. Fui trabalhar para uma escola islâmica em Portugal onde estive alguns anos. Fiquei a conhecer melhor a cultura islâmica, os hábitos e tradições dos alunos e restante comunidade. O que pretendo transmitir é algo que muitos de nós já terão esquecido mas que aconteceu e eu pude vivê-lo de perto: a discriminação para com os muçulmanos, face ao ataque terrorista do 11 de setembro, que acabou por afeta-los indiretamente. Durante alguns anos, o tempo foi passando e enquanto tratavam do ato terrorista, e do que se passou e enquanto não separaram os terroristas e os radicais islâmicos dos restantes e enquanto não surgiu à superfície a diferença entre um talibã e um muçulmano comum, todos os muçulmanos sofreram com o estigma dos terroristas e foram vítimas de racismo e xenofobia. Isto fez com que se falasse muito, em todos os meios de comunicação social, da cultura islâmica, que acabou por se dar mais a conhecer, porque nessa altura era incomum e pouco conhecida.
Eu penso que com os alunos de diferentes culturas na escola, é semelhante, ou seja, é necessário dar a conhecer as diferenças, na sala de aula, e integrar todos, através de atividades e do diálogo entre os alunos e professores, de forma a valorizar as diferenças e evitar conflitos que possam surgir e promover, assim, a inclusão de todos, acabando por ser um momento de enriquecimento cultural conjunto, na escola.