A questão da justa medida aristotélica parece-me particularmente atual. Vivemos numa sociedade que tende a valorizar o excesso: trabalhar mais, produzir mais, consumir mais, mostrar mais, estar permanentemente disponível. Neste contexto, talvez a dificuldade já não esteja apenas em encontrar a justa medida, mas em conseguir reconhecê-la como uma forma de excelência. A moderação pode facilmente ser confundida com falta de ambição ou de sucesso. Recuperar Aristóteles poderá, por isso, significar reaprender a perguntar não quanto mais posso fazer?, mas quanto é suficiente para viver bem? Talvez seja esta uma das perguntas éticas mais necessárias do nosso tempo.