Aristóteles entende a excelência como a capacidade de encontrar através da razão, a justa medida entre os extremos. Será que , na sociedade atual, onde somos constantemente incentivados a ir aos extremos, trabalhar mais, consumir mais, produzir mais, expor mais, ainda saberemos reconhecer a justa medida?
A excelência aristotélica na sociedade atual
por Ana Paula Correia de Seixas - Número de respostas: 2
Em resposta a 'Ana Paula Correia de Seixas'
Re: A excelência aristotélica na sociedade atual
por Francelina Clara Pires Amaro Azevedo Couto -Olá Ana, talvez possamos, com inteligibilidade e estoicismo encontrar equilíbrio, e neste conceito podermos ter algumas reminiscências daquilo que Aristóteles nos sugere com a "justa medida". Este equilíbrio também ele pessoal, uma vez que hoje, mais do que extremos vivemos numa cultura de radicalismos, em que posições intermédias são frequentemente vistas como fraqueza ou falta de convicção.
Talvez o perigo não esteja nos extremos, mas na incapacidade de reconhecer que entre dois extremos pode existir um espaço de reflexão, de dúvida e de diálogo, Afinal, pensar criticamente não é escolher sempre um lado, é ter coragem para questionar o próprio lado.
Abraço.
Francelina
Talvez o perigo não esteja nos extremos, mas na incapacidade de reconhecer que entre dois extremos pode existir um espaço de reflexão, de dúvida e de diálogo, Afinal, pensar criticamente não é escolher sempre um lado, é ter coragem para questionar o próprio lado.
Abraço.
Francelina
Em resposta a 'Ana Paula Correia de Seixas'
Re: A excelência aristotélica na sociedade atual
por Maria do Céu Machado da Silva e Costa -A questão da justa medida aristotélica parece-me particularmente atual. Vivemos numa sociedade que tende a valorizar o excesso: trabalhar mais, produzir mais, consumir mais, mostrar mais, estar permanentemente disponível. Neste contexto, talvez a dificuldade já não esteja apenas em encontrar a justa medida, mas em conseguir reconhecê-la como uma forma de excelência. A moderação pode facilmente ser confundida com falta de ambição ou de sucesso. Recuperar Aristóteles poderá, por isso, significar reaprender a perguntar não quanto mais posso fazer?, mas quanto é suficiente para viver bem? Talvez seja esta uma das perguntas éticas mais necessárias do nosso tempo.