Se reconhecermos que o uso da razão não conduz necessariamente todos os indivíduos às mesmas conclusões morais, será legítimo concluir que não podemos aspirar a qualquer universalidade ética? Ou poderá a razão, através do diálogo, da argumentação, da crítica, permitir uma aproximação progressiva a princípios éticos universais, ainda que sempre sujeito a revisão, de modo semelhante ao que acontece com a construção do conhecimento científico?
Em resposta a 'Graça Maria Dias Lopes'
Re: questão
por Sandra Raquel da Silva Felizardo Gomes Girão Henriques -Olá, Graça!
Do meu ponto de vista, o desacordo moral não nos obriga a abandonar a aspiração à universalidade. Obriga-nos, talvez, a abandonar a ideia de que a universalidade significa unanimidade ou certeza definitiva. A razão, através do diálogo, da argumentação e da crítica, permite submeter princípios éticos a um processo de justificação intersubjetiva: confrontar razões, detetar incoerências, questionar pressupostos e rever posições. Nesse sentido, pode existir uma aproximação racional a princípios que pretendemos universalizáveis, embora permaneçam abertos à crítica e à revisão. A comparação com a ciência é útil enquanto modelo de racionalidade crítica e autocorreção, mas tem limites, porque os problemas éticos não podem ser resolvidos por verificação empírica do mesmo modo que as hipóteses científicas.
E mesmo assim, aquilo que está empiricamente demonstrado é, hoje, alvo de discórdia e de divergência.
Por outro lado, não aspirar à universalidade parece levar inevitavelmente a um pântano social e moral difícil de defender. Acredito que haver desacordo não é causa suficiente para que tenha que haver relativismo moral...
Do meu ponto de vista, o desacordo moral não nos obriga a abandonar a aspiração à universalidade. Obriga-nos, talvez, a abandonar a ideia de que a universalidade significa unanimidade ou certeza definitiva. A razão, através do diálogo, da argumentação e da crítica, permite submeter princípios éticos a um processo de justificação intersubjetiva: confrontar razões, detetar incoerências, questionar pressupostos e rever posições. Nesse sentido, pode existir uma aproximação racional a princípios que pretendemos universalizáveis, embora permaneçam abertos à crítica e à revisão. A comparação com a ciência é útil enquanto modelo de racionalidade crítica e autocorreção, mas tem limites, porque os problemas éticos não podem ser resolvidos por verificação empírica do mesmo modo que as hipóteses científicas.
E mesmo assim, aquilo que está empiricamente demonstrado é, hoje, alvo de discórdia e de divergência.
Por outro lado, não aspirar à universalidade parece levar inevitavelmente a um pântano social e moral difícil de defender. Acredito que haver desacordo não é causa suficiente para que tenha que haver relativismo moral...
Em resposta a 'Sandra Raquel da Silva Felizardo Gomes Girão Henriques'
Re: questão
por Graça Maria Dias Lopes -Concordo . É exatamente o que penso