Aristóteles não nos ensina a moderação enquanto neutralidade ou equidistância. A justa medida exige "phronesis", isto é, a capacidade de discernir, em cada situação concreta, o que é justo e adequado. Numa sociedade polarizada, o desafio não será, por isso, encontrar um ponto intermédio, mas "sustentar convicções sem transformar o outro num inimigo".
É neste ponto que o diálogo com Espinosa se torna particularmente profícuo. Se a "phronesis" aristotélica exige deliberar racionalmente, Espinosa ajuda-nos a compreender como os afetos — medo, indignação, ressentimento ou pertença — podem condicionar o nosso julgamento e dificultar o diálogo. A deliberação pressupõe, assim, não apenas argumentos, mas também a capacidade de não nos deixarmos dominar pelos afetos.
Emerge desta visão uma responsabilidade essencial para o professor: ensinar a discordar, argumentar e escutar sem anular o outro. Recuperar a deliberação poderá significar recuperar a capacidade de reconhecer no outro não um adversário a eliminar, mas um interlocutor com quem, apesar das diferenças, ainda é possível construir um espaço comum.
É neste ponto que o diálogo com Espinosa se torna particularmente profícuo. Se a "phronesis" aristotélica exige deliberar racionalmente, Espinosa ajuda-nos a compreender como os afetos — medo, indignação, ressentimento ou pertença — podem condicionar o nosso julgamento e dificultar o diálogo. A deliberação pressupõe, assim, não apenas argumentos, mas também a capacidade de não nos deixarmos dominar pelos afetos.
Emerge desta visão uma responsabilidade essencial para o professor: ensinar a discordar, argumentar e escutar sem anular o outro. Recuperar a deliberação poderá significar recuperar a capacidade de reconhecer no outro não um adversário a eliminar, mas um interlocutor com quem, apesar das diferenças, ainda é possível construir um espaço comum.