O filme 23000 vidas, inspirado na história verídica de um barco de resgate de migrantes no Mar Mediterrâneo, evidencia os perigos enfrentados por milhares de pessoas que procuram proteção e melhores condições de vida. Embora o filme não se centre no contexto escolar, é possível refletir sobre as dificuldades que uma criança migrante poderá enfrentar (e enfrenta mesmo muitas...)ao integrar uma nova escola, num país que não é o que a viu nascer...
Imagine-se o caso do Lamin, que chega a Portugal depois de ter sido resgatado com a sua família. Após experiências marcadas pela insegurança , ele inicia a sua escolaridade sem dominar a língua portuguesa e com dificuldades em adaptar-se a uma nova cultura. Nas primeiras semanas, participa pouco, evita interagir, revela dificuldades devido à barreira linguística e ao impacto emocional. A língua é um obstáculo à comunicação, as diferenças culturais e o processo de adaptação podem gerar sentimentos de isolamento e de insegurança. Alguns colegas podem não compreender a sua realidade , o que aumenta o risco de exclusão social.
Mas a presença do Lamin representa uma oportunidade de aprendizagem para toda a turma. A partilha da sua história e da sua cultura permite desenvolver valores como o respeito, a empatia, a solidariedade e a cidadania intercultural. A diversidade cultural enriquece o ambiente educativo e contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e tolerantes ( mais " bem-formados", como se comentou durante a sessão síncrona", mais humanos, de carne e osso, acrescento eu!).
Será que o professor é o homem do leme deste barco de resgate? Ou será que é antes aquele que vai no bote salva-vidas até ao barco de borracha que o trouxe do inferno para o céu ainda que desconhecido, mas mais seguro do que se encontrava, e lhe coloca uma boia de salvação que lhe permite novamente respirar um pouco de alívio e pensar que pode haver uma réstia de esperança?...
Será o professor aquele que está disposto a investir ( o seu tempo, o seu conhecimento, a sua sensibilidade, o seu ombro, o seu peito, o seu sorriso, ...), a dar até aquilo que não tem em prol de um ser humano?...
" Podemos deixar pessoas afogarem-se?
Podemos desviar o olhar?
O pensamento tornou-se um sentimento.E esse sentimento não desapareceu. Cresceu. Ficou mais forte. Até assentar em mim."...
" Só posso dizer que eu salvaria sempre pessoas de se afogarem.
Ajudar não é crime.
É um ato de HUMANIDADE.
23000 vidas, Netflix
Que eu possa continuar a ajudar cada vida que chega ao meu barco ( à minha turma) de resgate!