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Ser Professora na Inter e na Multiculturalidade

Ser Professora na Inter e na Multiculturalidade

por Rita Isabel Bengalinha Gonçalves - Número de respostas: 0

Ao longo da minha experiência profissional na escola pública, fui tendo o privilégio de migrar entre escolas e contextos educativos muito diferentes, pelo que me foi dada a oportunidade de trabalhar com grupos bastante multiculturais. 

Seja com adultos ou com jovens foi sempre notória a necessidade de aceitação, de acolhimento, de compreensão tanto por parte dos habitantes do país de acolhimento como por parte de outras nacionalidades com as quais conviviam diariamente na escola. Muitas vezes, construir pontes entre todos verificou-se mais difícil com grupos de adultos (guardiões de ideias pré-concebidas e preconceituosas) do que com os mais jovens. 

Apesar disso, várias foram as vezes em que promovi dinâmicas que procuraram fomentar uma melhor compreensão e aceitação do outro, como por exemplo: Natal Multicultural (Escola Secundária de São João do Estoril - atividade levada a acabo com os alunos do Ensino Noturno de PLNM para a qual cada um contribuiu com um doce/prato/ bebida típico do seu país); Este/a sou eu... (recolha fotográfica e em vídeo de pequenos testemunhos dos alunos migrantes e das suas histórias de vida que posteriormente foram utilizadas numa exposição patente na Biblioteca da Escola Azevedo Neves).

Provavelmente, a atividade que considerei mais rica decorreu também na Amadora com alunos das turmas de Cursos CEF. Aproveitando a área formativa das turmas (Restaurante/ Bar) e a existência de uma oficina que permitia acolher grupos maiores, promoveu-se um almoço pedagógico multicultural em que cada família contribuiu com o prato ou sobremesa típicos do seu país de origem. Foi uma atividade particularmente bem sucedida porque se estimularam dois aspetos que, naquele contexto, eram muito importantes: o reconhecimento e respeito pelas outras culturas (a  partilha de uma refeição aproxima as pessoas) e a proximidade das famílias à escola (fundamental sempre, mais ainda no contexto de uma escola TEIP).  Foi delicioso ver a avó cabo-verdiana a cozinhar uma cachupa enquanto trocava ideias com uma mãe indiana e, pelo menos ali, durante aquelas horas, houve apenas harmonia, convívio e partilha.