O Filho de Saul é um mergulho ético no horror absoluto do Holocausto, e a sua força estética e moral dialoga diretamente com a teodiceia do mal e com a teologia política de Johann Baptist Metz.
Saul Ausländer, membro do Sonderkommando, encontra o corpo de um menino que acredita ser seu filho e decide dar-lhe um enterro digno, segundo o rito judaico. Nessa busca irracional, perigosa, quase impossível revela que ainda possível o último gesto de humanidade num sistema que destruiu todas as categorias morais . Ao colocarmos na mesa a Teodiceia do mal: Como pode existir Deus perante um mal extremo ? O filme conduz-nos aos argumentos com forma cinematográfica:
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O mal é total, sistémico, industrializado.
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Não há explicação, sentido ou justificação possível.
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A câmara , apena revela o olhar de Saul e desfoca o resto, funciona como metáfora da impossibilidade de compreender o horror .
A decisão de Metz, teólogo alemão marcado pelo trauma da guerra, defende que a teologia deve partir da memória perigosa do sofrimento.O Filho de Saul encarna essa ideia em várias dimensões. Destaco duas: