A pesquisa global não está ativa.
Ir para o conteúdo principal

Fórum

O Experimento de Stanley Milgram

O Experimento de Stanley Milgram

por Maria Teresa Nunes Vidal Pinheiro Coimbra - Número de respostas: 5

Partilho aqui um filme (que está no Youtube) que vimos e analisamos nas aulas de Psicologia.

O Experimento de Stanley Milgram é um filme que relata a experiência levada a cabo por este psicólogo social dos anos 50 numa tentativa de procurar um sentido, uma explicação, para os horrores cometidos nos campos de concentração. Analisa sobretudo a questão da Obediência. Muito interessante.

 

Em resposta a 'Maria Teresa Nunes Vidal Pinheiro Coimbra'

Re: O Experimento de Stanley Milgram

por Sofia da Conceição Rico Mesquita -
Parece tão fácil sermos levados a fazer o mal. Será que conseguiríamos ser levados, da mesma forma, a praticar atos de bondade? E se fossemos levados a praticar o bem e não fosse por iniciativa própria, isso faria perder o sentido da bondade ou do bem em si?
O ser humano é, de facto, influenciável, obedece a regras, ordens e isso limita-lhe a liberdade e a responsabilidade?
Em resposta a 'Maria Teresa Nunes Vidal Pinheiro Coimbra'

Re: O Experimento de Stanley Milgram

por Rui Pedro Pinheiro Santos -
Historicamente, o Holocausto tem sido associado a um ódio profundo e ancestral aos judeus, alimentado por preconceitos religiosos e pelo ressentimento económico na Alemanha do entreguerras. Contudo, a célebre Experiência de Milgram sobre a obediência à autoridade sugere uma perspetiva complementar e assustadora: para que indivíduos comuns cometam atrocidades, não é necessariamente preciso existir um ódio prévio. Em contextos onde ocorre uma forte desresponsabilização — em que o indivíduo se vê apenas como um mero executor das ordens de uma figura de autoridade legítima —, a crueldade torna-se mais facilmente executável. Tomando uma ideia de Hannah Arendt, quem se recusa a pensar não pode ser perdoado. O mal extremo não precisa de monstros, mas da ausência de pessoas críticas.
Em resposta a 'Maria Teresa Nunes Vidal Pinheiro Coimbra'

Re: O Experimento de Stanley Milgram

por Sílvia de Jesus Brito Revez -
Obrigada pela partilha, Maria Teresa!
Na mesma linha de pensamento, lembrei-me de partilhar a Experiência da Prisão de Stanford, uma experiência tão ou mais polémica e controversa, levada a cabo por investigadores da Universidade de Stanford, nos anos 70 do século XX. Muito sumariamente, foram selecionados vários voluntários, através de um anúncio, para participar numa experiência que consistia em simular, durante duas semanas, as relações sociais numa prisão, designadamente, entre os prisioneiros e os guardas. Ao fim de 6 dias, os investigadores tiveram de pôr fim à experiência, devido à rápida escalada de comportamentos abusivos por parte dos "guardas" — humilhação, privação de sono, castigos arbitrários — e ao sofrimento psicológico manifestado pelos "prisioneiros".
As conclusões que se podem retirar desta experiência vão ao encontro da própria perspetiva de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal: muitas vezes o estatuto que é atribuído às pessoas gera comportamentos que só podem ser compreendidos no seio dessa lógica hierárquica, havendo uma despersonalização, uma desumanização que facilitam a violência.
Deixo aqui o link para o trailer de dois dos filmes realizados a propósito desta experiência:
https://www.youtube.com/watch?v=Bi76npKs0X8
https://www.youtube.com/watch?v=7LviGTHud5w
Em resposta a 'Maria Teresa Nunes Vidal Pinheiro Coimbra'

Re: O Experimento de Stanley Milgram

por David Erlich -
Interessante partilha. Ora, para além de lecionar Filosofia, tenho também a disciplina de Psicologia B. E, tendo um belo manual da Gulbenkian ("Psicologia", de Henry Gleitman), vou estudando-o para ir preparando as aulas e alargando os meus conhecimentos. Já queria há algum tempo estudar as páginas dedicadas à experiência de Milgram e, aproveitando a necessidade de participar neste grupo e a sua mensagem, foi o que fiz.

Deixo aqui alguns aspetos que me pareceram particularmente relevantes das páginas que estive a ler:

- "os sujeitos de Milgram foram retirados de um amplo espetro de níveis económicos ou educacionais" - ou seja, a experiência de Milgram não permite justificações assentes em classe social ou falta de cultura;

- o estudo não demonstra completa falta de escrúpulos morais: é verdade que "65 por cento dos sujeitos de Milgram" foram administrando os supostos choques até à maior intensidade - e o mesmo ocorreu quando a experiência foi replicada com outras nacionalidades -, mas "muitos deles estavam seriamente perturbados"; "mordiam os lábios, torciam as mãos, suavam profusamente - e mesmo assim obedeciam";

- parte da interpretação de Milgram remete para a transferência de agência - quem teria a responsabilidade moral seria o experimentador que ordenava a administração do choque, não o sujeito-teste que administrava o choque;

- uma das descobertas de MIlgram é a importância da distância psicológica: quando o sujeito-teste já não administrava os choques, mas fazia tarefas auxiliares indispensáveis (maior distância psicológica), a percentagem de sujeitos-teste que administrou os choques até ao fim subiu 90%; inversamente, quando a experiência foi construída de modo que, para administrar os choques, o sujeito-teste tinha de pressionar a mão do indivíduo supostamente sujeito a choques, tal percentagem diminuiu para 30%;

- antes de publicar os resultados do estudo, Milgram perguntou por previsões a um grupo de quarenta psiquiatras: a sua previsão foi de que no máximo 2% dos sujeitos, aqueles patologicamente afetados, levaria os supostos choques até à intensidade máxima.