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Filme- O Filho de Saul Filme de 2015 do húngaro László Nemes

Filme- O Filho de Saul Filme de 2015 do húngaro László Nemes

por Carla Sofia Rodrigues Marques - Número de respostas: 0

O Filho de Saul é um mergulho ético no horror absoluto do Holocausto, e a sua força estética e moral dialoga diretamente com a teodiceia do mal e com a teologia política de Johann Baptist Metz. 

Saul Ausländer, membro do Sonderkommando, encontra o corpo de um menino que acredita ser seu filho e decide dar-lhe um enterro digno, segundo o rito judaico. Nessa busca irracional, perigosa, quase impossível revela que ainda possível o último gesto de humanidade num sistema que destruiu todas as categorias morais . Ao colocarmos na mesa a Teodiceia do mal: Como pode existir Deus perante um mal extremo ? O filme conduz-nos aos argumentos com forma cinematográfica:

 
  • O mal é total, sistémico, industrializado.

  • Não há explicação, sentido ou justificação possível.

  • A câmara , apena revela o olhar de Saul e desfoca o resto, funciona como metáfora da impossibilidade de compreender o horror .

 

A decisão de Metz, teólogo alemão marcado pelo trauma da guerra, defende que a teologia deve partir da memória perigosa do sofrimento.O Filho de Saul  encarna essa ideia em várias dimensões. Destaco duas:

 

A decisão de Saul de enterrar o menino é um ato de memória contra o esquecimento. Metz afirma que recordar as vítimas é um imperativo ético que impede a normalização do mal., recusando Auschwitz como narrativa confortável.

Metz insiste que a teologia deve ouvir o “grito dos que sofrem”. O filme com sons de gritos, máquinas, passos, ordens revela o campo de extermínio como um espaço onde o sofrimento invade a imagem mesmo quando não é mostrado diretamente .

Para Metz, o Holocausto destrói qualquer teologia otimista e o filme pode confirmar esta teoria: Saul não encontra redenção, apenas uma fidelidade desesperada a um gesto humano num mundo desumanizado, a consciência, a crença e a resistência da humanidade.

 O Filho de Saul confronta o espectador com o limite da representação do mal. Recusa explicações, recusa distanciamento, recusa beleza. A sua estética é ética: mostrar menos para fazer sentir mais. Para Metz uma memória que não consola, mas desperta; que não explica, mas exige responsabilidade.
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