O Holocausto desafiou a tradicional Teodiceia (justificação de Deus diante do mal). Filósofos e teólogos debatem como um Deus omnipotente e benevolente permitiu o genocídio de seis milhões de judeus. As respostas dividem-se entre a reformulação da aliança divina e a análise do mal como uma falha puramente humana.
Pensadores como Richard Rubenstein argumentam que, após Auschwitz, a ideia de um Deus da história é insustentável; o judaísmo deve adaptar-se a um mundo sem intervenção divina. Elie Wiesel, na sua obra A Noite, expressa o profundo luto e a revolta face ao silêncio de Deus perante o sofrimento inocente.
Teólogos como Emil Fackenheim propõem que, embora Deus tenha estado "ausente" no Holocausto, Ele continua a exigir que os judeus sobrevivam e resistam. Nasce assim o "614.º mandamento": a proibição de conceder a Hitler uma vitória póstuma, mantendo o judaísmo vivo e o Estado de Israel seguro.
Do ponto de vista filosófico secular, Hannah Arendt introduziu este conceito ao cobrir o julgamento de Adolf Eichmann. Arendt concluiu que o mal extremo não resultou de demónios ou sadismo inato, mas sim da abdicação do pensamento crítico e da obediência cega à burocracia do estado.
Talvez a questão seja uma falsa questão na medida em que o Deus podemos se nós mesmos, a própria ideia daquilo que esperamos de Deus é igualmente uma construção do ser humano que adora colocar pensamentos humanos em entes que não o são, sobretudo, esperar comportamentos à imagem humana. Deus é incompreensível, a sua imensidão não deveria estar sequer ao nível do nosso entendimento. Se o analisarmos desta forma, o mal é apenas o resultado da vontade humana e, quando falamos de mal natural, ele é o resultado da "aleatoriedade da natureza", mas o homem gosta de procurar explicações e exigir que a natureza encaixe em conceitos humanos.
