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O Experimento de Stanley Milgram

Re: O Experimento de Stanley Milgram

por David Erlich - Número de respostas: 0
Interessante partilha. Ora, para além de lecionar Filosofia, tenho também a disciplina de Psicologia B. E, tendo um belo manual da Gulbenkian ("Psicologia", de Henry Gleitman), vou estudando-o para ir preparando as aulas e alargando os meus conhecimentos. Já queria há algum tempo estudar as páginas dedicadas à experiência de Milgram e, aproveitando a necessidade de participar neste grupo e a sua mensagem, foi o que fiz.

Deixo aqui alguns aspetos que me pareceram particularmente relevantes das páginas que estive a ler:

- "os sujeitos de Milgram foram retirados de um amplo espetro de níveis económicos ou educacionais" - ou seja, a experiência de Milgram não permite justificações assentes em classe social ou falta de cultura;

- o estudo não demonstra completa falta de escrúpulos morais: é verdade que "65 por cento dos sujeitos de Milgram" foram administrando os supostos choques até à maior intensidade - e o mesmo ocorreu quando a experiência foi replicada com outras nacionalidades -, mas "muitos deles estavam seriamente perturbados"; "mordiam os lábios, torciam as mãos, suavam profusamente - e mesmo assim obedeciam";

- parte da interpretação de Milgram remete para a transferência de agência - quem teria a responsabilidade moral seria o experimentador que ordenava a administração do choque, não o sujeito-teste que administrava o choque;

- uma das descobertas de MIlgram é a importância da distância psicológica: quando o sujeito-teste já não administrava os choques, mas fazia tarefas auxiliares indispensáveis (maior distância psicológica), a percentagem de sujeitos-teste que administrou os choques até ao fim subiu 90%; inversamente, quando a experiência foi construída de modo que, para administrar os choques, o sujeito-teste tinha de pressionar a mão do indivíduo supostamente sujeito a choques, tal percentagem diminuiu para 30%;

- antes de publicar os resultados do estudo, Milgram perguntou por previsões a um grupo de quarenta psiquiatras: a sua previsão foi de que no máximo 2% dos sujeitos, aqueles patologicamente afetados, levaria os supostos choques até à intensidade máxima.