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Fórum de Discussão

Poesia e Morte

Poesia e Morte

por João Agostinho Vinagre Xavier - Número de respostas: 4

Partilho um poema que li quando era muito novo e que sempre me confortou face à morte, levando-me a encará-la com a naturalidade que ela merece.

 

Se eu pudesse trincar a terra toda  
E sentir-lhe um paladar,

E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...  
Mas eu nem sempre quero ser feliz.  
É preciso ser de vez em quando infeliz  
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica... 
Assim é e assim seja...

CAEIRO, Alberto, Poesia (O Guardador de Rebanhos), ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p. 55

Em resposta a 'João Agostinho Vinagre Xavier'

Re: Poesia e Morte

por Paulo Dinis de Freitas Simões de Sá -
O dia morre e a noite é bela, mas depois a noite morre e o dia ressuscita, para voltar a morrer novamente, e assim, sucessivamente. Não creio que connosco assim aconteça. Somos biologicamente concebidos, nascemos e morremos. Acredito que a morte seja o fim, embora reconheça que dava mais jeito que o não fosse. como diria Pascal, acreditar (em Deus e na imortalidade) traz vantagens, mas infelizmente, é uma crença que não tenho.
Parabéns pela escolha do poema.