PORTUGAL É UM PAÍS RACISTA?
Após o visionamento do documentário com testemunhos de vários migrantes vítimas de discriminação diversa iniciou-se um debate sobre a questão: Portugal é um país racista?
A opinião de todos os participantes é que Portugal não é um país racista formalmente, pela sua Constituição ser norteada por princípios democráticos promovendo a tolerância e diversidade, no entanto todos se mostraram preocupados pela disseminação fácil do discurso de ódio, que não só em Portugal, mas em toda a Europa tem crescido a um ritmo avassalador.
A piorar este cenário, em Portugal o racismo não é constituído crime mas sim contraordenação...
O aumento das migrações (800 mil imigrantes em território nacional), a ignorância e desinformação, a manipulação e a retórica sedutora das redes sociais, alimentada por determinadas ideologias políticas que reforçam a xenofobia e o racismo transformam a visão romantizada de um Portugal acolhedor num país que não escapa ao mais recente relatório do Observatório do Racismo e da Xenofobia, coordenado pela Dra Teresa Beleza, da Universidade Nova de Lisboa, que considera que há “racismo estrutural” em Portugal. O nosso passado colonial deixou marcas que persistem e que infelizmente são aproveitadas por ideologias extremistas. O racismo contra ciganos em Portugal é um exemplo de como práticas discriminatórias persistem e passam entre gerações.
A escola não ficou imune a este aumento do racismo e xenofobia.Todos nós assistimos a comentários, esterótipos e preconceitos que reproduzem o que ouvem nas redes sociais e Tik Tok.
Provavelmente deveríamos falar de racismos no plural, assim como a discriminação também é de vários tipos. A formadora esclareceu-nos sobre os vários tipos de discriminação (étnica, cultural, etária, de género, direta, indireta, múltipla, intersecional), conceitos fundamentais para desenvolver estratégias de prevenção e de intervenção.
Como educadores temos um papel central na formação das novas gerações. Todos somos professores de cidadania e todos temos o dever de promover estatégias que combatam o racismo e xenofobia e promovam o diálogo, a tolerância e o pensamento crítico.
Um simples filme exibido na escola pode ser uma porta aberta para tentar mudar atitudes. Partilho aqui, a título de exemplo, o excelente filme de Leonor Teles, Balada do Batráquio testemunho irónico da xenofobia contra os ciganos, que pode ser usado como catalizador da discussão e reflexão sobre este tema.
A formadora lançou um novo desafio sobre a legitimidade da proibição do hijab.
Como professora de Filosofia costumo discutir com os alunos esse exemplo como um caso problema para debate, para aplicar os conceitos de etnocentismo, relativismo cultural e diálogo intercultural.
É uma questão complexa, pois se devemos respeitar a identidade cultural de cada sociedade não devemos avaliar de forma etnocêntrica certas práticas culturais, por outro lado sabemos que o hijab representa um conceito de mulher submissa, sem liberdade de escolha. Até que ponto muitas mulheres gostariam de ter liberdade de escolher não usar o hijab. Até que ponto, em nome dos Direitos humanos, proibir o Hijab não se torna símbolo de etnocentrisno, mas sim de diálogo intercultural, porque afinal promove a liberdade e igualdade da mulher.
Finalmente, exploramos diversos documentos interessantes, como o “Guia de prevenção e combate à discriminação racial”, salientando a Ética de respeito pela diversidade, que é defendida pelos modelos pluralistas, que valorizam as abordagens dialógicas e de compromisso com valores de cooperação.
A partir da discussão sobre a imagem “Agir contra a discriminação” abriu-se o debate sobre a importância e desenvolver projetos nas escolas, que permitam esse diálogo intercultural e plural.
Cooperar para integrar, ouvir diversas vozes numa escuta sensível do Outro, “aprender a partir de ti” e contigo devem ser prioridades em projetos transdisciplinares e interdisciplinares alargargando-se a toda a comunidade educativa. Não se trata apenas de educar os alunos. É fundamental educar as famílas. E essa é uma responsabildade não só da escola, mas da sociedade cívil no seu conjunto.