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"Ser Professor/a na Inter e na Multiculturalidade..."

«Isto é para mim?»

«Isto é para mim?»

por João Manuel Rua Alves - Número de respostas: 0

Numa visita de estudo organizada no âmbito da disciplina de EMRC, este ano, a um parque de diversões, uma aluna recém-chegada de São Tomé e Príncipe viu, pela primeira vez na vida, uma montanha-russa e uma piscina. Perante equipamentos que para os colegas eram banais, perguntou ao professor e aos colegas: «Mas eu posso entrar? Isto é para mim?» A resposta do grupo foi imediata: os colegas explicaram, levaram-na pela mão e acompanharam-na todo o dia, transformando um possível momento de exclusão numa experiência partilhada de pertença.

 A pergunta «Isto é para mim?» revelou-me aquele que me parece um dos principais desafios da interculturalidade na escola: a aluna não duvidava do funcionamento da atração, mas do seu próprio direito de aceder àquele espaço de alegria — um sentimento interiorizado de não pertença que leva muitos alunos migrantes a autoexcluir-se antes de alguém os excluir.

Evidencia, pareceu-me, ainda, o desfasamento de capital experiencial entre alunos, que, sem mediação do professor, sobretudo nos contextos informais, pode gerar isolamento ou estigmatização. Mas a situação demonstra igualmente os benefícios da diversidade para a aprendizagem: a aluna aprendeu que pertence; os colegas, confrontados com uma realidade tão diferente, operaram uma descentração cultural e exercitaram de forma concreta a empatia, a hospitalidade e a solidariedade — competências que nenhum manual ensina com a mesma eficácia.

 A diversidade funcionou como conteúdo vivo: aprendeu-se mais sobre dignidade e fraternidade naquele dia do que em muitas aulas formais. Quando a comunidade educativa responde com acolhimento, a pergunta «Isto é para mim?» encontra a única resposta pedagogicamente aceitável: «Sim — e nós entramos contigo.»