De uma matriz individualista e hedonista, para a exigência de uma orientação humanista... nada que a Constituição da República Portuguesa não sublinhe desde a sua fundação à luz da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Nesta sociedade de vigilância, de condicionamento neoliberal que invade as fronteiras últimas do humano no recurso a dados gentilmente cedidos por todos a cada instante, temo que este projeto não seja mais do que lobo em pele de cordeiro. Vemos hoje que certos discursos de natureza ditatorial e autocrática se auto permitem e salvaguardam no invocar de direitos elementares consagrados exatamente no sistema que pretendem destruir. Além disso, mais uma vez, deposita-se na escola e nos docentes uma responsabilidade que deveria, antes de mais, assistir a todo o tecido social. E numa sociedade acrítica, centrada na auto satisfação, desejosa do ready made, que se entrega às mãos do carrasco que sorri enquanto repete "eles podem, podem...", como realizar consequentemente esta obrigação que deveria ser permanente? Quando o estado não assegura condições efetivas e materiais, quando não responde às legítimas exigências de quem faz da sua profissão uma ato de total entrega, como exigir mais e mais? Além disso, lançar estes referenciais da prática pedagógica não será assumir a consciência do início do fim desse novo humano que afinal já há muito moribundo? Desmaterialize-se.... pois quem domina o presente...