Penso que, talvez, a lógica cristã, sendo (por assim dizer) uma lógica religiosa, possa não ser exactamente redutível a uma lógica exclusivamente humana - talvez mantenha sempre um carácter de loucura. Neste caso, pode ser que o Cristianismo nos esteja a dizer, justamente, que o sofrimento terreno deve ser relativizado perante a importância da eternidade. E pode ser que isto soe, realmente, cruel a quem está em situações extremas, com sofrimento atroz - a quem, humanamente, não seria compreensível pedir que aceitem o sofrimento. Mas aqui estão, julgo eu, duas lógicas em conflito: a humana, terrena, e a religiosa, sob o ponto de vista da eternidade.