Numa turma das minhas turmas de 10.º ano de Ciências, foi integrada (no início do ano) uma aluna Ucraniana (YULIA Sxxxxxx) que chegou a Portugal em junho 2025. Apesar de já ter algum domínio da língua inglesa, demonstrava insegurança em participar oralmente, sobretudo por receio de errar e por ainda estar a adaptar-se ao novo contexto cultural e linguístico.
Durante uma unidade temática sobre O que é Cultura? Questões Globais e fluxos migratórios (“Global Issues”), propus um debate em grupo sobre migração e refugiados. Inicialmente, a aluna manteve-se em silêncio, enquanto os colegas discutiam o tema de forma mais teórica e genérica.
Percebendo o potencial da situação, reformulei a atividade: em vez de um debate tradicional, pedi aos alunos que integrassem, nas discussões, perspetivas reais e experiências pessoais (quando se sentissem confortáveis). De forma sensível e sem pressionar, convidei a aluna ucraniana a partilhar aspetos da sua experiência de mudança de país (cultura, hábitos diários: alimentação, vestuário, gostos musicais e lazer, desafios encontrados na mudança e adaptação).
Com o incentivo da minha parte e de uma rapariga também oriunda da Ucrânia, a Júlia descreveu as dificuldades de adaptação, as diferenças no sistema educativo (carga horária, currículo, abordagem dos profs e os desafios linguísticos que enfrentou (a língua como barreira). O seu testemunho trouxe autenticidade e riqueza à discussão e levou os colegas a desenvolverem maior compreensão (não direi empatia) sobre o fenómeno da migração.
A partir dessa altura, a participação da Júlia, nas aulas de Inglês, aumentou significativamente, sentindo-se mais valorizada e confiante. Os colegas passaram a encarar a diversidade linguística e cultural como uma mais-valia para a aprendizagem do Inglês, reconhecendo que a língua funciona realmente como uma ponte entre diferentes realidades.
Esta situação evidencia o impacto da interculturalidade na aula de Inglês porque acabou por transformar a sessão num espaço de partilha e de riqueza cultural: ao integrar experiências reais e valorizar a diversidade cultural dos alunos, promove-se não apenas o desenvolvimento linguístico, mas também competências sociais, empatia e consciência individual e global.
Desafios: barreira linguística (Português – idioma lacunar) e diferenças culturais (fortemente)
Benefícios: oportunidade para a partilha de experiências, foco na inclusão e supressão de outra barreira (aluna tímida, insegura e introvertida).