Quem sou? O que faço?
Sou Luca, até agora tenho trabalhado entre o jornalismo e a investigação académica e trabalho na escola desde setembro de 2025. Atualmente, sou professor contratado na Escola Secundária de Casquilhos, no Barreiro, onde leciono Filosofia e Área de Integração a alunos do 10.º e 11.º anos.
O que faço aqui (na formação)? Por que razão estou aqui?
Sou professor contratado e não tenho qualquer formação pedagógica para o ensino (apenas fiz uma disciplina de pedagogia na minha licenciatura em filosofia na Itália). Em particular, a turma de ensino profissional, onde leciono a disciplina de Área de Integração, é composta por alunos de origens muito diversas, provenientes de mais de 10 países, como Moçambique, Cabo Verde, Nepal, Angola, Brasil, Venezuela, Guiné-Bissau, etc. A experiência deste ano foi muito enriquecedora, mas deixou-me claro a necessidade de iniciar um percurso de formação, participação e partilha com outros colegas sobre temas de pedagogia e sobre como trabalhar em contextos interculturais com estratégias e técnicas compartilhadas e experimentadas.
Porque vim por este caminho / quem me trouxe?
Encontrei a associação, na qual já me inscrevi, e o curso de formação na Internet, porque procurei especificamente um curso sobre interculturalidade.
Para onde vou?
Gostaria de continuar a ensinar, promovendo uma transformação da pedagogia num sentido inclusivo e democrático. Tanto como docente, como investigador em ciências sociais e filosofia, e como cidadão, penso que seria importante abrir um debate que possa servir aos professores e aos alunos, às famílias, mas também a toda a sociedade, sobre como queremos que a escola se transforme para ser mais inclusiva e igualitária, de acordo com a Constituição portuguesa. Os movimentos de democratização da escola que caracterizaram a Itália do pós-guerra, assim como Portugal a partir de 25 de Abril, estão sujeitos a pressões no sentido de uma redução do espaço democrático e de uma menor inclusão e penso que, pelo contrário, devemos aproveitar a oportunidade que as transformações migratórias que caracterizam as últimas décadas, para tornar substanciais os valores constitucionais da igualdade, dos direitos humanos e da liberdade.
O que levarei comigo?
Levarei comigo o aprendizagem que tenho no contacto diário com os meus alunos, bem como as sugestões e a partilha por parte dos colegas. Levarei também comigo a minha própria experiência de migração, que me levou, nos últimos anos, a poder estudar e trabalhar em Portugal e em outros paises. Levarei comigo a minha experiência académica e jornalística, que procuro utilizar como ferramentas no meu trabalho de professor.