Assumindo que a Logoterapia defende que o sentido pode ser encontrado mesmo no sofrimento, como podemos aplicar o conceito de ‘distanciamento de si mesmo’ para evitar/superar o burnout no exercício da docência?
Em resposta a 'Elisabete Cláudia Saraiva Balhau'
Re: Tópico para reflexão
por Lúcia Maria Durães Ferreira -Na minha opinião, e como pessoa a lidar/lutar num contexto de doença mental - Burnout, perspetivei o sofrimento noutro ângulo e uso-o como força motriz para me reconstruir. Não só o sofrimento, porque aliei a este a fé. Numa analogia, é como o sofrimento fosse o asfalto que piso na estrada do meu caminho, e a fé o meu amparo, o meu cajado. Não fugi do sofrer, senti-o, deixei-o trespassar-me como uma névoa, como se num dia de nevoeiro, entrasse nele até que um dia de sol o dissipe. E nesse caminho obscuro e nubloso, vou em frente, às vezes sem ver muito bem para onde, apenas ir com a fé de chegar a bom porto. Distanciei-me da ilusão de mim para chegar até mim. Desconstruir a ilusão de um ser construído por fatores externos, sociais, culturais, para chegar a quem realmente sou. É como um processo de despir toda a roupagem vestida para chegar ao nu de quem eu sou. Um processo desconstrutivo para me construir. Atualmente, é este o sentido, ou um dos sentidos da minha vida.