O tema “A minha escola na prevenção de atitudes discriminatórias” leva-me a refletir sobre o papel fundamental que a educação assume desde os primeiros anos de escolaridade. No 1.º ciclo, as crianças encontram-se numa fase decisiva de construção de valores, atitudes e formas de olhar o outro, sendo, por isso, o momento privilegiado para intervir de forma intencional e significativa.
Foi precisamente na procura de projetos e estratégias para combater o racismo em contexto educativo que encontrei a obra “Anti-Racist Art Activities for Kids: 30+ Creative Projects that Celebrate Diversity and Inspire Change”, de Katie Kissinger. Este recurso revelou-se particularmente inspirador, ao apresentar propostas práticas, acessíveis e ajustadas à realidade das crianças, utilizando a expressão artística como ponto de partida para a reflexão e o diálogo.
No meu trabalho como professora de Inglês no 1.º ciclo, tenho procurado integrar este tipo de abordagem, promovendo atividades que incentivem o respeito pela diversidade, a valorização da identidade e o desenvolvimento da empatia. Através de desenhos, histórias, conversas orientadas e projetos colaborativos, os alunos são convidados a explorar temas como a igualdade, a inclusão e a justiça social, de forma concreta e significativa.
Estas práticas permitem não só abordar o tema da discriminação de forma preventiva, mas também criar um ambiente onde todas as crianças se sentem representadas e valorizadas. Ao dar espaço à expressão individual e ao diálogo, contribui-se para a desconstrução de estereótipos e para a construção de relações mais respeitadoras.
Também o jogo pode assumir um papel ativo na prevenção de atitudes discriminatórias. Existem várias opções, como o jogo “À procura de alguém que…”, em que os alunos devem encontrar colegas que partilhem gostos, experiências ou preferências (como hobbies ou alimentos de que não gostam), sem qualquer foco em características físicas ou culturais, promovendo a descoberta de pontos em comum. Outra atividade é o “O que temos em comum?”, onde pequenos grupos são desafiados a identificar, em poucos minutos, três aspetos menos óbvios que todos partilham, incentivando o diálogo, a escuta ativa e a aproximação entre pares.
Assim, acredito que é neste trabalho diário, desenvolvido desde o 1.º ciclo, que se constroem as bases para uma escola mais inclusiva e para uma sociedade mais consciente, justa e aberta à diferença.