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FÓRUM

A ideia de destino e de que tudo obedece à lei da fatalidade, não é incompatível com a ideia de livre-arbítrio e do aqui e agora estoico?

Re: A ideia de destino e de que tudo obedece à lei da fatalidade, não é incompatível com a ideia de livre-arbítrio e do aqui e agora estoico?

por Sílvia de Jesus Brito Revez - Número de respostas: 0
Olá! Também fiquei a pensar sobre este tema. A meu ver há uma diferença muito significativa entre assumir que há um destino (encarado de forma fatalista) e assumir que a realidade ocorre de forma determinada. De acordo com o que li sobre o estoicismo até agora, apesar de a ideia de destino ser referida muitas vezes, não me parece que seja o destino em termos de fatalismo que está subjacente (assumir o fatalismo seria assumir que os acontecimentos estão previamente planeados e sucederão independentemente de qualquer série causal) - seria preciso investigar melhor, inclusive, os termos originais. Parece-me mais lógico pensar que, se o universo é governado pelo Logos, então, isso significa que tudo tem uma causa - a natureza funciona de forma ordenada e determinista - mas isso não invalida que o ser humano não possa ter um papel ativo neste processo: parafraseando Savater, não podemos escolher ou controlar o que nos acontece (e por isso há o incentivo para o aceitarmos), mas podemos escolher o que fazer com o que nos acontece - há uma liberdade interior que é tanto maior quanto maior for a consciência de todo este processo: podemos escolher como julgar, como agir ou reagir face aos acontecimentos do mundo e isso parece abrir um espaço de interferência no próprio curso de acontecimentos do mundo. É neste espaço de interferência (limitado, mas muito significativo para o ser humano) que os estóicos se focam para abrir caminho para uma vida boa, ética, feliz sorriso