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FÓRUM

A ideia de destino e de que tudo obedece à lei da fatalidade, não é incompatível com a ideia de livre-arbítrio e do aqui e agora estoico?

A ideia de destino e de que tudo obedece à lei da fatalidade, não é incompatível com a ideia de livre-arbítrio e do aqui e agora estoico?

por Maria do Sameiro Paredes Fernandes - Número de respostas: 1

Depois da sessão de ontem fiquei com esta dúvida, pois se tudo está escrito (o Logos ou Destino), como posso ser livre?

Percebi que para os estoicos, não temos liberdade para mudar os eventos externos (o que nos acontece), no entanto, temos liberdade sobre o nosso julgamento e vontade. 

Eles argumentavam que as nossas escolhas fazem parte da rede de causas do destino e que o nosso livre-arbítrio é o mecanismo pelo qual o destino se desenrola. O destino determina as cartas que recebemos e o livre-arbítrio é a forma como nós decidimos jogá-las.

Concordo com os estoicos, pois ser causalmente determinado não é incompatível com ser livre. Temos livre-arbítrio se as ações resultarem da nossa vontade. Das nossas crenças e desejos. As ações livres são causadas, mas isentas de coerção ou constrangimentos. Resultam do exercício da vontade.

Em resposta a 'Maria do Sameiro Paredes Fernandes'

Re: A ideia de destino e de que tudo obedece à lei da fatalidade, não é incompatível com a ideia de livre-arbítrio e do aqui e agora estoico?

por Sílvia de Jesus Brito Revez -
Olá! Também fiquei a pensar sobre este tema. A meu ver há uma diferença muito significativa entre assumir que há um destino (encarado de forma fatalista) e assumir que a realidade ocorre de forma determinada. De acordo com o que li sobre o estoicismo até agora, apesar de a ideia de destino ser referida muitas vezes, não me parece que seja o destino em termos de fatalismo que está subjacente (assumir o fatalismo seria assumir que os acontecimentos estão previamente planeados e sucederão independentemente de qualquer série causal) - seria preciso investigar melhor, inclusive, os termos originais. Parece-me mais lógico pensar que, se o universo é governado pelo Logos, então, isso significa que tudo tem uma causa - a natureza funciona de forma ordenada e determinista - mas isso não invalida que o ser humano não possa ter um papel ativo neste processo: parafraseando Savater, não podemos escolher ou controlar o que nos acontece (e por isso há o incentivo para o aceitarmos), mas podemos escolher o que fazer com o que nos acontece - há uma liberdade interior que é tanto maior quanto maior for a consciência de todo este processo: podemos escolher como julgar, como agir ou reagir face aos acontecimentos do mundo e isso parece abrir um espaço de interferência no próprio curso de acontecimentos do mundo. É neste espaço de interferência (limitado, mas muito significativo para o ser humano) que os estóicos se focam para abrir caminho para uma vida boa, ética, feliz sorriso