Ser Professor na Inter e na Multiculturalidade implica reconhecer a sala de aula como um espaço de encontro entre diferentes histórias, línguas e formas de ver o mundo.
Nesta escola há uma realidade multicultural bastante elevada e no geral, a integração dos alunos, sejam provenientes dos PALOPS, União Europeia ou países da Ásia, apresenta inicialmente dificuldades de adaptação, sobretudo ao nível da comunicação oral e da interação com os colegas. Relembro o caso de uma aluna proveniente de Cabo Verde, chegou à escola no final do primeiro semestre e tinha episódios de desmaio consecutivos sem explicação. Quando isto acontecia, era necessário chamar a ambulância e encaminhar a aluna para o hospital, no entanto o Encarregado de Educação, achava que esta medida só era necessária caso batesse com a cabeça, pois segundo o mesmo, em Cabo Verde, eram 100 alunos dentro de um espaço e os desmaios aconteciam com alguma regularidade. Culturalmente achavam que estes episódios estavam relacionados com a presença de espíritos e não careciam de tratamento médico, recusando a ida ao hospital. Tivemos várias reuniões com este Encarregado de Educação, onde demonstramos que apesar do respeito que temos pelas suas crenças e cultura, em Portugal, dentro e fora do espaço escolar, existem procedimentos obrigatórios que não devem ser negligenciados, para uma melhor integração.
A diversidade cultural representa desafios acrescidos para o professor, como a necessidade de desenvolver competências interculturais, diferenciar estratégias pedagógicas e promover um clima inclusivo. Contudo, revela também benefícios significativos para a aprendizagem, ao enriquecer o ambiente educativo, fomentar o respeito mútuo e ampliar as perspetivas de todos os alunos. A interculturalidade na educação não se limita à integração dos alunos migrantes, mas potencia aprendizagens mais significativas, prepara os alunos para a convivência numa sociedade plural e reforça o papel do professor como mediador cultural e agente de inclusão.