Numa turma do 7º ano, que lecionei, recebi um aluno recém-chegado da Ucrânia, com pouco domínio do português. Nos primeiros dias, mostrava-se reservado e com dificuldades em acompanhar as atividades. Perante isso, promovi momentos de partilha cultural, incentivando-o a apresentar aspetos do seu país — como tradições, língua e costumes — enquanto envolvia a turma em dinâmicas de cooperação. Progressivamente, o aluno foi ganhando confiança e os colegas passaram a demonstrar maior curiosidade e respeito pela diferença.
Na minha opinião, este caso evidencia alguns desafios claros da interculturalidade, como a barreira linguística, a adaptação ao currículo e a integração social. No entanto, revela também benefícios significativos: a diversidade cultural enriqueceu as aprendizagens, promoveu competências sociais como a empatia e o respeito, e tornou o ambiente de sala de aula mais inclusivo e dinâmico. Ser professora neste contexto implica, assim, uma postura flexível e consciente, capaz de transformar a diversidade num verdadeiro recurso pedagógico.