Como professora do Grupo 400, trabalhei dois anos letivos com dois irmãos, gémeos, oriundos dos EUA. Chegaram e passaram a integrar uma turma de 8º ano.
Chegaram com total desconhecimento da Língua Portuguesa, apesar da mãe ser portuguesa. Vieram para Portugal contrariados (o pai ficou a viver nos EUA e impossibilitado de viajar até Portugal por uma deficiência grave que padecia). Boicotavam toda a aproximação em português, mesmo dos colegas mais insistentes. Em casa apenas viam televisão em Inglês, passavam grande parte da noite no computador, em jogos com os Amigos que deixaram do outro lado do Atlãntico. A Mãe continuava a falar-lhes em Inglêes e recusavam todas as hipóteses de coletividades, associações para praticar desporto (ou outras atividades) coletivas. Entendiam que se não falassem nada em português, se não houvesse progressão, a Mãe voltaria para os EUA com eles. Não resultou. Enveredaram por um Curso Profissional no Ensino Secundário e esperam chegar aos 18 anos para regressarem para o Pai.
O propósito firme de não se integrarem tornou-se uma barreira muito difícil de transpor.