Aristóteles explica os seres através da sua finalidade (telos). Neste aspeto, parece-me ser difícil estabelecer uma relação com Espinosa, pois Espinosa rejeita a finalidade na natureza: as coisas não acontecem para atingir fins, certo? Ou estarei a ver mal a essência dos dois filósofos.
Uma reflexão: Aristóteles e Espinosa
por Isabel dos Anjos Gomes da Silva Tomás - Número de respostas: 2
Em resposta a 'Isabel dos Anjos Gomes da Silva Tomás'
Re: Uma reflexão: Aristóteles e Espinosa
por Isabel dos Anjos Gomes da Silva Tomás -Um artigo para ouvir. Muito interessante
https://expresso.pt/podcasts/tempo-ao-tempo/2025-10-16-o-unico-dia-em-que-espinosa-se-irritou-os-filosofos-tambem-se-passam-2fb0e5a2
https://expresso.pt/podcasts/tempo-ao-tempo/2025-10-16-o-unico-dia-em-que-espinosa-se-irritou-os-filosofos-tambem-se-passam-2fb0e5a2
Em resposta a 'Isabel dos Anjos Gomes da Silva Tomás'
Re: Uma reflexão: Aristóteles e Espinosa
por Marcos Bazmandegan -Aparentemente sim. Espinosa considera o pensamento teleológico uma forma de antropomorfismo, no qual acabamos por projetar na Natureza aquilo que é próprio da nossa ação: fazer as coisas tendo em vista um fim. No entanto, Espinosa quando critica o teleologismo está a dialogar também com toda a tradição posterior a Aristóteles, no qual um Deus criador fez todas as coisas com um propósito e - muito comum na época - cuja finalidade, até certo ponto, era servir o Homem. Foi, sobretudo, contra essa instrumentalização da Natureza ao serviço do Homem legitimada metafisicamente que ele combateu. Agora, se olharmos para a questão do conatus, vemos que o conatus tende para a preservação do ser; também afirma que de Deus/Natureza decorre uma infinidade de coisas de acordo com a sua natureza, e nesse sentido - a meu ver - não estamos muito longe daquilo que Aristóteles queria dizer com o telos. Porque, em Aristóteles, o telos não consiste num ser externo às coisas que dá sentido/propósito/finalidade às coisas, mas trata-se de uma espécie de movimento/dinamismo interno das próprias coisas que decorre da sua própria natureza. Mas de qualquer das formas há aqui espaço para debate.