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Ser professora na Inter e na Multiculturalidade

Ser professora na Inter e na Multiculturalidade

por Ana Daniela Ferreira Pinto Sampaio - Número de respostas: 0

Situação vivenciada: Integração de uma aluna migrante no ensino profissional

No início do ano, em janeiro de 2026, a minha direção de turma do ensino profissional recebeu uma aluna recém-chegada de Cabo Verde. Apesar de partilhar a língua portuguesa, a aluna utilizava expressões e referências culturais diferentes, o que originou, por vezes, alguns episódios de incompreensão e comentários, por vezes depreciativos, entre as colegas portuguesas e brasileiras que constituíam a turma. A aluna começou a demonstrar cada vez mais insegurança em participar nas aulas, preferindo manter-se isolada nos trabalhos de grupo e até nos intervalos. Enquanto diretora de turma procurei observar atentamente a situação antes de intervir. Percebi que a aluna tinha cada vez mais dificuldade em estabelecer relações com os colegas e procurei promover atividades de trabalho cooperativo, constituindo grupos heterogéneos e atribuindo funções específicas a cada elemento, valorizando as competências individuais. Paralelamente, procurei com o professor de Área de Integração dinamizar um debate sobre diversidade cultural, respeito pelas diferenças e comunicação intercultural, incentivando todos os alunos a partilharem as suas tradições, expressões e experiências. Esta atividade permitiu que a maioria dos alunos demonstrasse compreender melhor as diferenças culturais, adotando uma atitude de respeito e até interesse e curiosidade pela cultura da aluna recém integrada na turma.  

Análise do caso à luz da interculturalidade na educação

Este caso evidencia que a interculturalidade vai além da simples integração dos alunos de diferentes nacionalidades na escola. Implica criar oportunidades de diálogo, reconhecimento mútuo, respeito e valorização da diversidade. Penso que um dos principais desafios consiste em ultrapassar estereótipos e preconceitos implícitos, muitas vezes manifestados através de pequenas brincadeiras ou comentários aparentemente inofensivos, de alunos e até de professores, mas que podem gerar sentimentos de exclusão. Outro desafio foi reconhecer que falar a mesma língua não significa partilhar os mesmos códigos culturais, formas de comunicação ou experiências de vida.