A disciplina de Português posiciona-se como a ferramenta exata para o desenvolvimento da literacia, do pensamento crítico e da cidadania global. Para que isso aconteça, o desenho curricular articula-se em torno de dois pilares fundamentais: a interdisciplinaridade e o pluralismo. Juntos, estes conceitos transformam a sala de aula num espaço de diálogo, inclusão e inovação pedagógica. O currículo do 2º, 3º ciclos e secundário organiza-se habitualmente em domínios como a Compreensão Oral, a Expressão Oral, a Leitura, a Escrita, a Gramática e a Educação Literária. Foca-se no desenvolvimento de competências-chave que preparam os alunos para os desafios do futuro. Mais do que memorizar conteúdos, importa saber comunicar com eficácia e os conteúdos devem-se alinhar à realidade local, aos interesses dos alunos e ao ritmo de aprendizagem de cada turma e até de cada aluno. Como a língua portuguesa não existe isolada das outras áreas do saber; ela é o veículo através do qual todo o conhecimento é construído e partilhado, a interdisciplinaridade acaba por quebrar as barreiras entre disciplinas, promovendo projetos partilhados.
Trabalho: Pede-se. então que, na abordagem prática, em situação de aula : Leitura d`Os Lusíadas e respetiva análise e interpretação ( Português) se enriqueçam os conhecimentos ( História, Geografia) sobre a época dos Descobrimentos e ao mesmo tempo debater os textos das Reflexões do Poeta em cada Canto (Filosofia) estamos a desenvolver valores do pensamento filosófico e ético com base na realidade de Portugal nessa época. Refletindo e projetando para os dias de hoje as problemáticas já existentes. Em suma, a interdisciplinaridade acaba por estar presente neste pequeno exemplo através do Português e da área das Ciências Humanas. No entanto, outras abordagens podem ser feitas, como por exemplo a análise da evolução da língua portuguesa desde essa época aos nossos dias. Outro exemplo de leitura prática, seguida de análise e interpretação poderá ser a seguinte atividade: qualquer manual do 2º, 3º e Secundário tem textos de literatura portuguesa continental e também dos Países Africanos de Expressão Portuguesa, bem como do Brasil. Ora, no ensino do Português o pluralismo reconhece que a língua é viva, dinâmica e heterogénea.
E desta forma diretamente se promove o pluralismo, combate-se o preconceito linguístico e valoriza-se a riqueza da diversidade. Nesta experiência de leitura, o aluno poderá reconhecer que ao ler diversos textos de vários escritores vai constatar que o Português é uma língua do mundo com diferentes normas e variantes ( História da Língua) - Português de Portugal, do Brasil, de Angola, de Moçambique, de Angola, de Cabo Verde, da Guiné e de S. Tomé e Príncipe e vai compreender que estas variações enriquecem o património da identidade dos alunos e prepara-os para um mundo lusófono globalizado que acabam por reconhecer se existirem na escola alunos dos PALOP`s ou brasileiros, por exemplo.
A escolha dos textos e das leituras deve incluir escritores, autores africanos, timorenses ou literatura marginal para expandir o horizontes dos estudantes, permitindo-lhes ver-se refletidos nas histórias e desenvolver empatia por outras realidades. E por este facto, o professor é o único recurso humano que pode agir e criar momentos de aprendizagem com objetivos de diversidade linguística, cultural e até social.
Outro exemplo: a atividade de audição de leitura dos textos dos PALOP`s na prática leva os alunos a reconhecerem a diferença da língua portuguesa dos países lusófonos, através da diferença de sonoridades, articulação de vogais e consoantes, bem como na construção de frases e utilização de terminologia específica do Português Europeu e dos PALOP`S, por exemplo. Reconhecendo a própria evolução da língua na permanência de palavras das línguas que existiam nesses países. No caso de termos na turma, por exemplo, 1 aluno da África do Sul e/ou outros países, então o PLNM ( Português Língua Não Materna) é essencial para acolher alunos imigrantes ou refugiados, garantindo que o currículo promove a equidade e o sucesso educativo para todos, sem apagar as suas línguas de origem. Os ambientes de aprendizagem individualizada ou em pequenos grupos são profícuos para que paulatinamente haja sucesso. A articulação do currículo, da interdisciplinaridade e do pluralismo na disciplina é o caminho para uma educação humanista e de qualidade. Caberá a nós professores desenvolver a flexibilização de processos, dialogar com os outros professores, propondo tarefas/projetos/ideias (DAC) para que a escola deixe de ser um local de reprodução de conhecimento/aulas expositivas e passar a ser um " atelier/clube/laboratório/ de cidadania ativa. O aluno não aprende apenas a falar e a escrever "corretamente"; aprende também a compreender o mundo, a respeitar a diferença e a intervir na sociedade através da palavra e da sua opinião.