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"Ser Professor/a na Inter e na Multiculturalidade..."

Mundis

Mundis

por Maria de Fátima Clemente Bica - Número de respostas: 0

A minha escola tem cerca de 20 nacionalidades. Mas podia ter 200 ou apenas uma, a carta universal dos Direitos Humanos existe e é levada à letra: todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Mas foquemo-nos nesta época de imigração. Enquanto professora de portugueses, franceses, suíços, nepaleses, ucranianos, brasileiros, venezuelanos, colombianos, chineses passo sempre a mensagem de que ficamos mais ricos culturalmente pelo simples facto de coabitarmos na mesma turma, no mesmo espaço escolar, na mesma vila. A diferença engrandece-nos e valoriza-nos. As festas de final de ano são mais apelativas pelas mostras internacionais, pela gastronomia diversificada, pelos trajes típicos de cada lugar, pelos sons que se misturam no ar. Crescemos tanto que até inovamos com a criação de um doce que leva um ingrediente de cada país que faz parte do nosso Agrupamento: o Mundis.

Mas os alunos não aprendem apenas gastronomia: aprendem a apontar no mapa o Nepal, a dizer obrigada em chinês, a reconhecer o perigo de um regime totalitário russo e o papel que a resistência ucraniana desempenha para a liberdade de toda a Europa. Aprendem, acima de tudo, que há mais mundo além do deles onde todos podem conviver na base do respeito e da aceitação. E neste contacto de culturas a salada inicial onde até se podia distinguir cada ingrediente acabará inevitavelmente por dar origem a um melting pot, a uma nova cultura.