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A Morte da Pessoa jurídica e a transição para o espetáculo da morte nos campos- ARENDT, As Origens do Totalitarismo

A Morte da Pessoa jurídica e a transição para o espetáculo da morte nos campos- ARENDT, As Origens do Totalitarismo

por Paula Alexandra Cardoso e Silva - Número de respostas: 1

Uma peculiar decadência da vida é acusada nas análises de Arendt sobre o fenómeno totalitário e os campos de concentração, “o primeiro passo essencial no caminho do domínio total é matar a pessoa jurídica do homem.” Quando certas categorias de pessoas foram excluídas da proteção da lei e por ocasião da desnacionalização maciça o mundo não totalitário se viu forçado a aceitá-las como fora da lei teve lugar a construção dos campos de concentração fora do sistema penal normal. A vida perde em direitos e enfrenta um novo sujeito de poder, para Arendt não será poder mas uma pura violência. Um tal sujeito de poder abandona a morte quando a resguarda dos olhares circundantes, quando não deseja mais celebrá-la por rituais espetaculosos, mas provoca uma profunda inquietação e angústia existenciais quando transforma a vida natural ao ponto de nela quebrar em absoluto as forças necessárias para resistir a uma morte ensaiada. O espetáculo da morte transita para os bastidores de um cenário resguardado dos olhares exteriores em que a vida nua natural passa a ser devorada pela agonia e pelo terror. O domínio totalitário cuidou para que os internos dos campos fossem certas categorias de pessoas predominantemente “inocentes em todos os sentidos, (pois) prestam-se melhor a experiências radicais de privação de direitos e destituição da pessoa jurídica e são, portanto, em qualidade e quantidade, a categoria mais essencial da população dos campos.” Os campos foram construídos com um propósito indescritivelmente infernal onde se produzem em série aglomerados de cadáveres vivos.

Entre muitas obras grandiosas segue a sugestão para: 

ARENDT, Hannah, As Origens do Totalitarismo

Em resposta a 'Paula Alexandra Cardoso e Silva'

Re: A Morte da Pessoa jurídica e a transição para o espetáculo da morte nos campos- ARENDT, As Origens do Totalitarismo

por Dina Da Conceição Coelho Lourenço -
Esta reflexão sobre o totalitarismo fez-me pensar na fragilidade da condição humana quando os direitos e a dignidade das pessoas são anulados. Arendt mostra-nos que o maior perigo não está apenas na violência do regime, mas também na passividade de quem aceita e cumpre ordens sem as questionar. A realidade dos campos de concentração revela até onde pode chegar a desumanização do ser humano. A expressão "cadáveres vivos" impressionou-me particularmente, porque retrata pessoas que, apesar de continuarem fisicamente vivas, tinham sido privadas da sua identidade, como se a sua humanidade lhes tivesse sido roubada.