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Sugestões: A Morte de Virgílio, Hermann Broch; "A Consciência Não Morre", Mário Simões; "Amor" (Amour, 2012) de Michael Haneke

Sugestões: A Morte de Virgílio, Hermann Broch; "A Consciência Não Morre", Mário Simões; "Amor" (Amour, 2012) de Michael Haneke

por Ana Paula Patrício Sena Belo Reis de Carvalho - Número de respostas: 0

Se pensar numa referência importante para mim acerca do tema da morte e da finitude, do sentido da existência e da transcendência, não posso deixar de ir buscar um dos meus livros preferidos: "A Morte de Virgílio", de Hermann Broch.

Neste livro, Broch coloca-nos perante o poeta ao longo da última etapa da sua vida. Virgílio está moribundo, mas toda a sua vida lhe vem à memória, enquanto a frota romana desliza pelo mar calmo rumo ao porto de Brindisi.

A questão central que inquieta Virgílio é a da suposta grandeza da sua obra. Perante a morte, toda a sua glória lhe parece sem sentido e vã.

Esta leitura é daquelas que posso repetir muitas vezes, são muitas passagens de grande riqueza, repletas de inquietação filosófica, existencial, política, religiosa... É simultaneamente uma leitura muito poética.

Creio que nos faz, sem dúvida, refletir sobre o sentido da vida, sobre o como devemos e queremos vivê-la a cada passo, sabendo que somos finitos. O sentido da vida coloca-se verdadeiramente através da apreensão fenomenológica permanente da nossa finitude. Esse é o cerne da questão. A busca inevitável do ser humano pela imortalidade terá enormes consequências se for bem sucedida nesta nossa vida: a ser possível, alteraria radicalmente a nossa condição humana que é sempre a da fragilidade. Desse modo, poderíamos nós continuar a ser verdadeiramente humanos?

Numa linha bastante diferente mas com afinidades óbvias, li recentemente um livro que me pareceu interessante e que recomendo pela sua abordagem clara e bastante simples sobre este tema complexo. Trata-se do livro do Professor Mário Simões, médico psiquiatra. Tem como título: "A Consciência Não Morre" - o que a ciência começa a entender sobre a vida depois da morte.

Neste livro, o ponto de partida é a análise das chamadas experiências de quase morte (EQM). O objetivo é levar-nos a conhecer algumas das atuais investigações científicas (com uma nova amplitude de métodos e perspetivas) acerca da consciência, dado que, em rigor, ela nos permanece inacessível, considerada na sua totalidade.

Finalmente, o tema da morte parece-me estar muitas vezes ligado ao do sofrimento, por exemplo, através da vivência do luto, mas não só. Quando penso nisso, lembro-me sempre de um filme bastante marcante, o qual nos coloca perante a difícil questão da eutanásia, mas também nos toca pelo sentimento do amor profundo pelo outro, bem como pela percepção do seu sofrimento (que é também o nosso). Esse filme é "Amor" ("Amour", 2012), de Michael Haneke e penso que é uma obra muito enriquecedora, profunda e inquietante.