No filme de Tim Burton, “O Grande Peixe”, a personagem Edward Bloom conhece o momento da sua morte no olho de vidro de uma bruxa. Essa revelação modifica a sua vida, as peripécias da sua existência não são atravessadas pela angústia e pelo alívio, pois ele sabe, ao contrário de nós, que não será ainda aí que vai perder a vida. Se tivesse essa possibilidade ao meu alcance, recusá-la-ia, como a maioria dos demais. Desse modo, parece-me que a vida seria uma contagem decrescente. Assim, posso encontrar a morte em qualquer dia, mas conto sempre mais um dia, não menos um, e isso importa.