Sermos um "ser- para- a- morte" (conceito presente na filosofia de Heidegger) encerra todas as possibilidades, a morte dá forma à vida, ela acompanha a existência de tudo quanto vive. Reconhecer e ter consciência dessa finitude é algo que causa inquietude no ser humano porque nos obriga a questionar o sentido da vida. Ser imortal retirar-nos-ia essa inquietude? Como seria construído o sentido sem a consciência da finitude?
Em resposta a 'Vanda Cristina Sequeira Pereira'
Re: Morte e sentido da existência
por Nuno Miguel Martins de Almeida Calamote -Uma boa pergunta: como seria o nosso modo de ser se o tempo fosse o da eternidade? Como seria sermos sem tempo, sermos fora do tempo? Seríamos um ser-o-aí? Não seríamos caracterizados pelo ser-no-encaminhamento-da-morte, pelo deixar de ser permanente. Então qual o modo de ser da eternidade?
Em resposta a 'Nuno Miguel Martins de Almeida Calamote'
Re: Morte e sentido da existência
por Alberto Manuel da Silva Gomes -A questão parece-me muito interessante. No entanto, penso que, em Heidegger, a temporalidade não é um elemento acidental da existência humana, mas a sua própria estrutura ontológica. O Dasein existe projetando possibilidades, herdando um passado e antecipando um futuro, sendo o ser-para-a-morte a possibilidade que unifica esse horizonte temporal. Se retirássemos a temporalidade e a finitude, talvez já não estivéssemos perante um Dasein no sentido heideggeriano. A pergunta deixaria então de ser "como seria o Dasein eterno?", para passar a ser "continuaria a fazer sentido falar de Dasein?". Relativamente a essa questão de saber se 'seríamos um ser-o-aí?' Atenção que para Heidegger, Dasein não significa simplesmente "um ser que está aí". O Dasein é o ente cuja essência consiste na existência, na abertura ao ser e na projeção de possibilidades. E essa estrutura implica necessariamente temporalidade (Zeitlichkeit). Em Ser e Tempo, a temporalidade não é um atributo do Dasein; é o horizonte da sua compreensão de ser.
Em resposta a 'Nuno Miguel Martins de Almeida Calamote'
Re: Morte e sentido da existência
por Vanda Cristina Sequeira Pereira -Sim. Fica a questão de como seria.