Queridos colegas, tenho um colega (professor) que é sempre cortês, generoso no trato, de comunicação aparentemente impecável — e, ainda assim, é impossível construir confiança com ele. No grupo, ninguém realmente se lhe liga e diz-se (perdão por este mexerico) que é “falso como judas”, ainda que eu não lhe conheça essas falsidades…
Rosenberg diz no livro que a CNV não é apenas uma linguagem ou um conjunto de técnicas, é consciência e também intenção — e o que gera confiança não é a delicadeza, é a vulnerabilidade (diz ele). Como diz, no poema A Máscara, quando se levanta enfim a máscara que uma mão delicada segura “com graça”, não há rosto nenhum por trás.
Daí a questão que me assoberba:
Poderá a forma perfeita da CNV servir não para nos ligarmos ao outro, mas para nos protegermos dele?
Quem nunca ofende, mas também nunca se expõe, é mais fácil ou mais difícil de confiar do que quem é abertamente difícil?
E — Virando do avesso — não seremos nós a falhar na CNV ao rotularmos de «frio» alguém que talvez apenas tenha medo?
O Problema é que, mesmo indo ao encontro dele, ele não se “faz parte”. Também é verdade que nunca (que eu saiba) o confrontamos diretamente com isso.
Um dia esse colega, por causa de uma tomada de posição na escola, onde era necessário batermo-nos por uma questão de justiça, colocou-se à parte e disse: «Temos de saber viver». Que vos parece? Em que falho/falhamos?