Pesquisa sobre projetos, atividades, clubes na minha escola, relacionados com a interculturalidade e ou prevenção de atitudes discriminatórias.
A participação nesta formação levou-me a olhar para trás e a refletir sobre o impacto real que os projetos escolares tem na construção de uma sociedade mais justa. Na minha prática, enquanto educadora de infância num Jardim de infância no Algarve, tive o privilégio de vivenciar na minha sala a implementação do projeto “Portugal sem Fronteiras”. Esta experiência pedagógica, com crianças dos três aos seis anos de idade, confirmou-se que a escola e as salas são o terreno mais fértil para mitigar fenómenos de racismo e xenofobia na raiz.
Trabalhar a interculturalidade nesta faixa etária exige um olhar atento e uma sensibilidade profunda. As crianças pequenas não nascem com preconceitos; estes são construídos socialmente. Por isso, integrar dinâmicas que valorizam a diversidade na escola funciona como uma desconstrução natural de estereótipos através da vivencia positiva da diferença. No Algarve, uma região marcada por uma forte riqueza e diversidade cultural, o projeto serviu como um elo essencial para abrir as portas da sala às diferentes matrizes identitárias, envolvendo ativamente não só as crianças, mas também as suas famílias. Na nossa rotina diária as barreiras linguísticas e geográficas diluíram-se através do afeto e de atividades práticas assentes na empatia, na construção de mural das famílias, na hora do conto sem fronteiras, na partilha de sabores e nas músicas e jogos do mundo. Esta vivencia, provou que o combate à discriminação se faz no dia a dia. Uma educação verdadeiramente inclusiva no pré-escolar é o caminho mais seguro par formar futuros cidadãos tolerantes, conscientes e motores de uma cidade plena.