Durante algum tempo em que trabalhei no Algarve, a interculturalidade era uma realidade muito presente nas escolas. Muitos alunos emigrantes provinham de contextos de guerra e apresentavam fragilidades emocionais significativas. Nesse contexto, a colaboração entre docentes, psicólogas e assistente social era essencial, destacando-se o apoio prestado às famílias mais vulneráveis, nomeadamente através da identificação de situações de carência e da atribuição de lanches e outros apoios.
Atualmente, no Norte, esta realidade é menos evidente, embora a diversidade cultural esteja a aumentar. Na escola onde lecionei no ano passado, comemorava-se o Dia da Interculturalidade, permitindo que alunos de diferentes nacionalidades dessem a conhecer aos colegas aspetos dos seus países de origem. Esta iniciativa promovia o respeito pela diferença e a valorização da diversidade cultural.
No presente ano letivo, não identifiquei atividades semelhantes. Considero, contudo, que seria pertinente desenvolver, por exemplo, um Clube da Interculturalidade e Cidadania, dinamizando atividades como a celebração do Dia da Interculturalidade, exposições culturais, testemunhos de famílias de diferentes nacionalidades e ações de sensibilização para a prevenção da discriminação. Estas iniciativas contribuiriam para uma escola mais inclusiva, promovendo valores de respeito, empatia e cidadania. Poderia ainda ser implementado o projeto “Volta ao Mundo na Nossa Escola”, no qual, ao longo do ano, cada turma exploraria diferentes países representados na comunidade escolar, conhecendo aspetos da sua cultura, língua, gastronomia e tradições. Como atividade complementar, seria interessante promover uma Feira das Culturas, aberta à comunidade educativa, onde os alunos apresentariam trabalhos, músicas, danças e curiosidades dos vários países, incentivando a partilha, o respeito e a valorização da diversidade.