Inicio esta reflexão partindo de uma frase que me ficou desta sessão: "A tripulação não é fácil". Só lamento não ter tomado nota de quem a proferiu, mas creio que cabe em qualquer um de nós.
E efetivamente a tripulação, aqueles com quem trabalhamos ao longo de anos, não são fáceis, são seres humanos, cada um com a sua complexidade, com os seus princípios, costumes. Na verdade, cada um com a sua cultura e ideias.
Vivemos e aprendemos na Interculturalidade, mais ainda na multiculturalidade. Na escola onde trabalho, vivo e aprendo com várias realidades e várias culturas. Sinto que é um quotidiano onde nos aculturamos.
Ao longo dos últimos anos tenho tido a oportunidade de estar com vários jovens das mais variadas nacionalidades. angolana, moçambicana, guineense, venezuelana, argentina, paquistanesa, russa, ucraniana, romena, argelina, espanhola, brasileira, cabo-verdiana e muitas outras... Entre muitas, uma das histórias que me marcou foi a de uma aluna brasileira. Uma miúda dócil, atenta, curiosa, interessada em saber e conhecer mais. Esta jovem de dezasseis anos, que esteve connosco um ano letivo, teve um desempenho e um querer como ninguém, alguém que considerava saber pouco quando chegou e quando acabou o ano referiu: "e tanto que eu aprendi em Portugal, quando chegar ao Brasil vou dar-lhe novidades!" E deu. Recebi email de boas novas sobre esta aluna e o que mais me deixou feliz foi a referência de que tinha saudades nossas, que tinha saudades das nossas aulas, da nossa conversa, do nosso espaço e até das nossas festas e convívios. Que feliz afinal somos, quando ensinamos, quando chegamos até ao aluno e quando lhes transmitimos a mensagem, um pouco do nosso ser e da nossa cultura. Somos, vivemos e aprendemos.
E a questão é: só esta aluna é que foi feliz?
Não, todos somos de alguma forma felizes, todos temos benefícios neste mundo da diversidade cultural, nesta partilha diversificada. Todos saímos felizes no que à aprendizagem diz respeito.